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sábado, 27 de setembro de 2014
domingo, 16 de dezembro de 2012
ENTREVISTANDO MARCOS EDUARDO NEVES
Um papo com Marcos Eduardo Neves, escritor de “Nunca houve um homem como Heleno”
Marcos Eduardo Neves, jornalista carioca e escritor, passou por importantes redações cariocas, como as do Jornal do Brasil e Jornal dos Sports e editou 15 revistas e uma enciclopédia esportiva para o jornal LANCE!. Curador do Museu Flamengo, foi consultor e colaborador de roteiro do filme “Heleno”, de José Henrique Fonseca.
Ele foi mais uma amizade que se iniciou no Congresso Brasileiro de Escritores, em novembro do ano passado. Posso dizer que Marcos, com seu livro Heleno, conseguiu me fazer mudar de ideia sobre dois assuntos: futebol e biografias. A história de Heleno me prendeu até o fim, pois além de me apresentar o personagem, me colocou dentro do clima da época, me posicionou quanto a fatos históricos que corriam paralelos à história principal, tornando o livro muito mais do que a história de um jogador de futebol. Posso garantir, nunca houve mesmo um homem como Heleno!
Vamos então a entrevista que fiz com Marcos, aproveitando o nosso período de Bienal em Sampa!
Marcos, você já tem quatro livros publicados: “Anjo ou Demônio: a polêmica trajetória de Renato Gaúcho”, “O maquinista: Francisco Horta e sua inesquecível máquina tricolor”, “Vendedor de Sonhos: a vida e a obra de Roberto Medina.” Lançou, este ano “Nunca houve um homem como Heleno”. Posso perguntar, por que a preferência por biografias? Isto tem relação com tua profissão de jornalista?
Além destes quatro, tenho mais um, chamado “Servenco sobrenome Steinberg”, que narra a carreira empresarial de dois empresários que levantaram uma construtora carioca que fez história entre os anos 40 e 2000. Minha predileção por biografias tem menos a ver com minha profissão de jornalista e mais pelo fato de eu gostar de gente e fatos. Meus livros trazem histórias interessantes com pitadas de História propriamente dita. Adoro trabalhar assim.
Tenho acompanhado você desde que nos conhecemos no Congresso, e você tem sido bastante reconhecido, premiado e homenageado com teu trabalho literário, que não se limita a biografias… Nos conte um pouco sobre quando descobriu sua vocação, e como você começou a escrever.
Não sou eu quem tem sido homenageado ou premiado. São minhas obras. O bom do escritor é que ele morre, como qualquer ser humano, mas suas obras ficam. Vai ver em que ano morreu o Miguel de Cervantes. Mas o Dom Quixote permanece.
Quanto a me descobrir como “operário das palavras”, isto, que eu lembre, vem da sétima série do primeiro grau (hoje, oitavo ano). Sempre sofria para passar de ano em várias matérias, menos em português e redação. Depois, cursei por um tempo Psicologia, mas sonhando escrever sobre comportamento humano num jornal carioca. Em seguida, aos 23 anos, ganhei a biografia do Nelson Rodrigues escrita pelo Ruy Castro, e ela mudou minha vida. Decidi que era aquilo que eu queria passar a fazer. E assim foi. Aos 27 anos, ainda estagiário de Jornalismo, lancei um livro de mais de 400 páginas que teve bom reconhecimento no meio esportivo, a biografia do Renato.
Marcos, quando te conheci no Congresso, você estava no processo de lançamento do livro “Nunca Houve um Homem Como Heleno”, e nos contou do encadeamento do lançamento do livro e do filme. Qual a diferença entre esse último lançamento e o dos outros livros, em termos de facilidades e dificuldades de divulgação?
Lançar o primeiro livro é sempre mais difícil. Você não tem currículo como escritor, nenhuma editora se interessa, é preciso muita persistência. Agradeço muito à editora Gryphus por ter me lançado em 2002, com a biografia do Renato Gaúcho. O livro não obteve sucesso de vendas, mas teve reconhecimento de público. Assim, o Roberto Medina, mentor do Rock in Rio, investiu em mim. Escrevi a biografia dele em quatro meses, para lançarmos em Portugal, num Rock in Rio Lisboa.
Em seguida, o Francisco Horta me contratou para escrever sobre ele. Em paralelo, descobri uma história fascinante e a investiguei. Daí saiu a biografia do Heleno de Freitas, meu maior sucesso comercial. Lancei o livro em 2006 e as vendas foram muito boas. A história é sensacional. Muita gente se apaixonou pelo livro – e duas pessoas, em especial, correram atrás e fizeram um filme sobre o personagem: o José Henrique Fonseca e o Rodrigo Santoro. Quando acontece de vir um filme por trás, a visibilidade aumenta de forma considerável. Assim, pegando carona na cauda do cometa, “Nunca houve um homem como Heleno” foi relançado pela Zahar, e os resultados estão simplesmente esplêndidos.
Agora, me fale sobre esta tua paixão sobre futebol e quando você decidiu fazer dela o assunto principal de teus livros.
Sempre gostei de futebol, desde criança. Aos 12 anos de idade, fui gandula do Flamengo, na época do Zico. Aos 15, já tinha o sonho de escrever a biografia do Renato Gaúcho, que era o meu ídolo. Isso só veio a se concretizar quando amadureci. Decidido a ser escritor, peguei autorização dele para mergulhar em sua história. Faz 10 anos que lancei este livro. Depois, fiz um sobre a Máquina Tricolor porque sempre tive curiosidade em relação ao que acontecia no Rio de Janeiro na época em que nasci, 1975. O livro do Heleno foi uma sugestão do Luiz Mendes, jornalista contemporâneo ao “craque-galã”. Santa sugestão, por sinal. Sempre me disseram que futebol e livro não dão dinheiro. Pode realmente não me tornar um milionário, mas tenho enorme prazer em trabalhar com essa dupla.
Tem algum novo projeto literário em andamento? Pode contar para nós?
Venho finalizando um livro sobre os 20 maiores jogos do Flamengo, que vai sair pela Maquinária. Há também a biografia do Evandro Teixeira, aquele fotógrafo de nível internacional que fez carreira no grande Jornal do Brasil e registrou as principais imagens da ditadura militar. Esse sairá pela Casa da Palavra.
Estou escrevendo o livro infantil “O Pequeno Grande Escritor” e revisando um thriller chamado “Encruzilhadas – Um Anticristo no Rio de Janeiro”. Espero que estes dois saiam pela Zahar. Além disso, faço outros livros por encomenda. Afinal, todo mundo tem um parente ou alguém com uma história interessante, e pode fazer um livro biográfico para os amigos e parentes, para um público menor. Estes eu faço pela minha própria editora, a Rotativa (www.rotativa.art.br).
Por fim, você gostaria de falar algo para os leitores da Central 42?
Digo sempre para todos aqueles que sonham um dia publicar um livro. Não desistam! Muita gente vai dizer que é loucura, que você está perdendo tempo, mas, lembre-se, eles que estão. O livro fica, as pessoas vão. Corra atrás do seu sonho. Livro é como filho. Você fica louco se alguém fala mal dele, você se delicia quando o elogiam, você o pega com carinho, o acaricia, coloca na prateleira e todo dia olha para ele, para ver se está bem. Quando ele não chega da gráfica, é pior que véspera de parto, tamanha a ansiedade. E quando ele surge na sua mão, literalmente nasceu – você não quer mais se desfazer dele. Não o empresta quando não tem outros próximos, num misto de ciúme e posse. Enfim, livro é um barato. Mas sai caro transformar sonho em realidade. Pouca inspiração, muita transpiração. Em todos os sentidos. Um forte abraço a todos.
ENTREVISTANDO JORDEMO ZANELLI
Um papo com Jordemo Zaneli, escritor de “A Garota Rockstar”
Nascido em 1964, Jordemo Zaneli, é advogado, pós-graduado em Direito Empresarial e em Marketing e Propaganda, com grande experiência em Administração Pública, onde assessorou diversos órgãos públicos por 20 anos. Publicou dois livros: “Sun Tzu – A arte da guerra e a dialética” e “A Garota Rockstar”.
Leiam o bate-papo que tive com ele sobre ser escritor, seus livros, literatura no Brasil, etc.
Jordemo, eu gostaria de saber como e quando você se “descobriu” escritor?
Desde criança, tive uma professora, Dona Vilma, que passava redação pra gente, e, que sempre me incentivou a escrever. Ela dizia: “…esse menino vai virar escritor…”. Mas minha trajetória é longa, aprendi muito no movimento estudantil, fazíamos panfletos, jornais e tabloides nas entidades por onde passei com meus companheiros nos: grêmios, diretórios acadêmicos. Fui diretor da UEE-SP, em 1984-85, colaborei no mesmo período com o extinto jornal A Comarca de Araçatuba e com o Estadão. Escrevi por muito tempo uma coluna no jornal da minha cidade, Buritama, também chamado A Comarca.
Quais são as suas influências na literatura?
Os clássicos nacionais são ótimos eu adoro, Machado de Assis, Jorge Amado. Mas uma obra em especial guardo com muito carinho: O senhor embaixador do Érico Veríssimo, um livro que me impressionou pela visão globalizada do narrador numa época de muita nostalgia.
Seu mais recente livro, “A Garota Rockstar”, é um livro de ação, com uma trama atual e interessante, global, envolvendo sequestro, terrorismo, e muito mais, que não vou contar aqui para não estragar a surpresa. Como surgiu a ideia de escrever este romance?
Sou advogado e adoro minha profissão, sinto prazer no que faço, adoro conversar com meus clientes, conhecer a fundo seus problemas e descobrir a solução para eles, com isto adquiri uma capacidade muito grande de lidar com conflitos, a partir de uma visão muito particular de cada engrenagem desta fantástica máquina que é o mundo.
Sempre quis manifestar minha opinião sobre estes temas, resolvi então criar uma história repleta de ação, suspense, romantismo e através dos personagens poder opinar e chamar o leitor para uma reflexão sobre temas relevantes do nosso cotidiano.
Minha grande inspiração foi minha filha que vive nos Estados Unidos a 11 anos, casada com uma pessoa maravilhosa nascido na Grécia, genitores da minha netinha, uma garota esperta e sonhadora. O contato com estes países e culturas me inspirou nesta obra.
A literatura brasileira não tem tradição em romances de ação, tão comum no exterior. O que fez você escrever este gênero de literatura?
Talvez tenha sido esta ausência que me levou a inovar, mas tenho na obra citada: O Senhor embaixador, boa parte desta inspiração.
Qual o diferencial da obra? O que o livro traz de novo? O que você pode destacar na obra?
Minha abordagem sobre temas atuais e importantes como: drogas, família, violência e até mesmo relações diplomáticas internacionais é diferente, tenho uma opinião severa a respeito deste e de outros temas importantíssimos que destaco sucintamente entre uma trama e outra, entre uma aventura e um suspense, eventos criados para tornar estas discussões animadas e atrativas. É uma reflexão prazerosa, deliciosa, como se estivéssemos nos divertindo na imensidão do tempo e do espaço.
Mas o que diferencia mesmo este meu trabalho é o alerta que faço sobre uma certa confusão que as pessoas fazem sobre sentimentos. Elas estão presas a um perigoso jogo de “faz de conta”, que acabam invertendo valores e prioridades. Dizem amar seus filhos, esposas e maridos, quando na realidade estão amando a si mesmas, revelando sentimentos estranhos e confusos, e o pior, não estão percebendo isto, acabando por transferir este erro para seus legatários e sucessores. Faço este alerta, para um resgate sensorial necessário, através de um contínuo exercício de práticas e aproximações entre as pessoas, para que não chegue o dia onde vamos nos esquecer como é amar uns aos outros.
Agora, vamos falar um pouco sobre um tema que ouvimos muito no Congresso Brasileiro de Escritores, no ano passado, o livro virtual. Sabemos que há os que se amedrontam com o e-book. Qual é a tua opinião a respeito? Você acha que ele fará com que o nosso livro de papel se torne obsoleto?
Pelo contrário, vejo que o e-book vai levar nossas obras para os lares brasileiros com maior rapidez e dinamismo, despertando a leitura em muito mais pessoas que estão cada vez mais conectados, e acredito que muita gente ainda prefere o livro de papel. Há gosto pra tudo neste mundo.
Você tem algum projeto literário novo?
Sim, a continuação da saga da Garota Rockstar, tem muita coisa ainda pra dizer sobre o universo da nossa heroína e sua família de guerreiros.
Por último, gostaria de dizer algo aos leitores da Central 42?
Leiam, leiam tudo, além de agradável, a leitura ampliará sua visão. É como você acender uma luz no quarto escuro, você encontra o que precisa e também vê as teias de aranha e os cantos sujos e empoeirados. Não posso deixar de dizer que o importante mesmo é definir exatamente o que você quer da vida, ninguém terá prazer fazendo o que não gosta, por mais que seja bem remunerado.
A Garota Rockstar
Autor: Jordemo Zaneli Junior
Gênero: Romance/ficção/aventura
Editora: Somos – Araçatuba -SP
Um romance eletrizante iniciado com o desaparecimento de uma criança de seis anos em um tumultuado evento terrorista em Atenas… Aflição dos familiares no Brasil e nos Estados Unidos. A influência de culturas diferentes, lugares pitorescos, regiões desoladas e sombrias, aventuras e lições de vida são elementos que impulsionam e formam a atmosfera de “A Garota Rockstar”.O autor oferece nas entrelinhas e em notas de referência fatos e dados que contextualizam o enredo, numa ousada, mas perspicaz, estruturação textual, criada para situar os leitores no passeio por épocas e locais diferenciados.
A cadência da narrativa atrai pela busca do desfecho e também por estimular discussões e reflexões da atualidade. Uma proposta de entretenimento incrementada por uma oportunidade de ampliação da visão de mundo.
ENTREVISTANDO MENALTON BRAFF NA CENTRAL 42
Conhecendo Menalton Braff
Fui ao lançamento de seu livro, “Tapetes de Silêncio”, na livraria Martins Fontes da av. Paulista, em março deste ano. Tenho acompanhado e divulgado seus blogs, pois aprendo a cada leitura, e o que é bom deve ser divulgado. Por este motivo, convidei-o para esta entrevista para a Central 42, para que todos possam conhecer este escritor simpático e competente!
Primeiramente, antes de falarmos do teu último livro, você poderia contar aos leitores da Central 42 quando e como você começou a escrever, e quantos livros já têm publicados?
Antes dos dez anos eu cometi alguns poemas. Com rima e métrica, como prescrevia um livro que encontrei na biblioteca do meu pai. Era o Tratado de versificação, de Olavo Bilac e Guimarães Passos. Aprendi a ler com cinco anos de idade por puro fascínio, pois ninguém perdeu tempo me ensinando. Aprendi vendo meu pai ensinando uma irmã mais velha. Li O Guarani em HQ, logo depois e me apaixonei pela história. Lia muito, desde criança, e em geral prosa, mas na hora de escrever descobri aquele livro que me parecia um abre-te sésamo. Havia muitos mistérios lá dentro, e tratei de descobri-los.
Hoje estou com dezoito títulos publicados.
Pode me matar uma curiosidade? Por que você usou pseudônimo no início de tua carreira literária, e porque depois assumiu teu verdadeiro nome?
Quando publiquei meus dois primeiros livros, a “anistia total e irrestrita” era muito recente. Não senti coragem de usar meu nome verdadeiro. Uma razão. Outra: só fui ler o Viana Moog depois de adulto, pois pensava que era escritor estrangeiro. E veja só: era meu vizinho de cidade. Era uma fase de nacionalismo exacerbado e não quis usar um nome com gosto de chucrute. Adotei um pseudônimo com jeito de feijoada. Por fim, não havia mais razão para temer a exposição de meu nome e o editor usou mil argumentos para que eu usasse meu nome. Convenceu-me.
Em 2000, você ganhou um prêmio Jabuti de literatura. O que mudou de lá para cá?
Passei de um escritor familiar que atingia pequeno grupo de amigos, para um escritor que atinge além do que a vista alcança. Eu conhecia cada um de meus leitores, hoje não conheço mais.
Agora, vamos ao teu livro recém-lançado, Tapete de Silêncio. Teus personagens são reais, palpáveis até. As cenas fazem com que entremos, participemos delas. Como foi o processo de criação desta história e dos personagens?
Misturei observação com imaginação. Passei mais de dez anos pensando nesta história. O tempo foi acrescentando detalhes, personagens, situações, que eu, eventualmente anotava. Até o dia que não havia mais o que anotar: era preciso transformar aquilo tudo em discurso.
Assisti tua oficina de contos, no Congresso Brasileiro de Escritores, em novembro passado, e quando li Tapete de Silêncio, me remeti à estrutura do conto que você esmiuçou. Você usou desta estrutura para a construção do livro?
Sabe, o Percy Lubock, um teórico norte-americano, defende o equilíbrio entre cenas e panoramas (ou resumo narrativo). Eu não consigo esse equilíbrio. Estou quase sempre mais perto da cena. É o modo como vou tecendo a trama. Então, aquilo que considero fundamental no conto, sem querer transfiro para o romance. Até me esforço para ser mais panorâmico, quando vejo, contudo, estou pensando em forma de cena. Acho que é uma questão de estilo.
Agora, você pode falar um pouco da trama do livro, para os leitores matarem a curiosidade?
Não posso falar muito porque o segredo ainda é a alma do negócio. O que posso dizer (sem estragar a surpresa do final) é que dez homens, uns depois dos outros, se encontram no coreto de uma praça em noite de chuva. Por um dito agora, outro depois, percebe-se que estão destinados a praticar um ato hediondo, apesar de serem todos eles pessoas das mais respeitáveis da pequena cidade. A essa cena contínua, que vai do início ao fim do romance, dei o nome de capítulos. Não há solução de continuidade. Mas os capítulos vão-se alternando com acontecimentos do passado, que denominei de coro. Os dois planos narrativos (passado e presente) seguem paralelos, mas acabam se encontrando, e aquilo que parecia sem sentido, ou obscuro, ganha clareza com a junção final dos dois planos. Em resumo: o malabarista de um circo seduz (ou é seduzido) a filha menor do homem mais poderoso da cidade. O que eles tramam, tudo que acontece, isso me recuso a revelar.
Eu também li o teu Bolero de Ravel, que possui uma estrutura psicológica mais densa. A tensão psicológica entre os irmãos vai sendo delineada pelo olhar de Adriano, sua interpretação do mundo. E como a música, o tema simples vai ganhando complexidade. Como surgiu esta trama, de onde veio a inspiração?
Isso é coisa que ninguém, jamais, vai poder te responder. Pelo menos com honestidade. A gente nunca sabe de onde vêm os temas. Uma esquina, o riso de uma criança, o sol batendo num barranco, trechos de histórias ouvidas por aí, situações vividas. Ultimamente eu vinha observando que os adolescentes vinham aumentando muito. Com trinta, trinta e cinco anos o rapaz não se decide a sair de casa da mamãe. É um fenômeno mundial. Isso me incomodou até o dia em que resolvi escrever o Bolero de Ravel
Você também é contista, além de romancista. Qual dos gêneros te agrada mais?
Eu me sinto um romancista que eventualmente escreve contos. Gosto do espaço do romance, me sinto bem convivendo meses e até anos com personagens e situações de um romance.
Conte-me um pouco do teu lado de autor para o público infantil.
Como ganhei a vida trabalhando entre adolescentes, houve um momento em que me pareceu muito lógico escrever também para eles. Não é fácil. Tem-se de tomar alguns cuidados com a linguagem, com alguns valores éticos. Quando escrevo literatura geral, não penso em destinatário. Escrevo pra mim. Literatura infantil e juvenil, contudo, exigem que se pense em quem vai ler. O público alvo são seres em formação, e a responsabilidade do autor é outra. Meus desencantos, minhas amarguras, isso tudo não pode passar para um ser em formação. Se ele chegar às minhas conclusões a respeito do mundo, não terá sido por meu intermédio.
Tua inserção nas redes sociais para divulgação do teu trabalho se deu quando, e o que mudou depois de ter usado este canal de comunicação?
Um pouco antes do lançamento do Tapete de silêncio, pensando em como ajudar a editora a divulgar o livro, foi-me sugerido o trabalho de profissionais do ramo, que sabem o que fazer e como para tornar o livro um pouco mais conhecido.
Bem, o que mudou foi que este, muito mais rapidamente do que os outros, teve certa repercussão.
Tem algo aqui que eu não te perguntei, mas que você gostaria de falar a respeito?
Há uma confusão muito grande entre o que é e o que não é literatura. O Brasil tem muito poucos leitores de literatura. As livrarias, em sua maior parte, não expõe literatura na vitrine ou nas mesas das lojas. E por uma razão simples: as pessoas não procuram literatura. O Ernesto Sábato, numa entrevista, afirmou que o best seller está para a literatura assim como a prostituição está para o amor.
Para quem quiser ler e conhecer Menalton Braff, o link para seu blog é: http://blogdomenalton.blogspot.com.
Para comprar seus livros, Tapete de Silêncio e Bolero de Ravel, clique nas figuras que aparecem no texto acima.
Boa leitura!
sábado, 24 de novembro de 2012
Eliane Ratier comenta sobre O Poente, o Poético e o Perdido
Fiquei muito feliz com o comentário sobre meu livro, vindo de outra poeta de mão cheia, Eliane Ratier, em seu blog:
| Livros- O Poente, o Poético e o Perdido- Ana Cláudia
Marques
Posted:
19 Nov 2012 11:35 AM PST
A
Ana é uma das boas surpresas que este meio literário nos traz.
Amiga imediata, sorridente e pronta para tudo. Li seu livro afoita , curiosidade instigada pelas amostras do blog e marquei várias páginas. Ana tem esta inquietação que nos pertence e que vira escrito, poesia, arte que partilhamos aliviados e de quebra produz no outro um sorriso cúmplice de quem vislumbrou um quadro detalhado e multicor, belo, emocionante, feito de letras, signos pretos em papel branco. As ilustrações e soluções gráficas dão um toque a mais no trabalho da Ana. Penso que em breve ela possa estar por aqui para celebrar o nascimento deste seu filho de papel. Parabéns, Ana!
O blog de Eliane é o http://elianeratier.blogspot.com/
Amiga de letras, com uma empatia mútua instantânea, realmente só tenho a agradecer por este comentário em forma de poesia! obrigada!
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