quarta-feira, 5 de agosto de 2015

DEVER CUMPRIDO

Vou dormir,
sensação de dever cumprido.
Entre sonhos e prática,
metida,eu,
envolvi-me com os dois.
eu sou de viver
agora.
Não sei se haverá depois.

terça-feira, 28 de julho de 2015

POETAS...

Poetas são seres
Que se apaixonam
A vida inteira
Sem medo
De se apaixonar.
Poetas sentem
-mais do que
Sabem teorias-
De que o brilho
Das pessoas
Enfeitiça,
Enlaça,
E traz o caos
Criador
-e necessário –
Para a vida
Pulsar.
Poetas leem
As mensagens truncadas
Daqueles sábios
Dogmáticos
Com um irônico
Sorriso.
Poetas
Ouvem os dogmas
-sociais, regionais,
Mundiais-
E balançam
As cabeças,
Desaprovadores.
Então erguem
Suas canetas
E promovem silenciosas
Revoltas,
Incitando
Aos poetas que
Ainda não acordaram
A respeitarem
A própria
Essência.
Poetas são seres
Que não tem
A mínima vergonha
De se apaixonar
Pelo brilho
Que se estampa
Em cada

Vivo olhar.

terça-feira, 21 de julho de 2015

ERA UMA VEZ UMA CASA AMARELA



Era um domingo de julho. Um convite, há muito feito, havia sido aceito por mim, e eu desembarquei na Casa Amarela, em S. Miguel Paulista, lá pelo meio da tarde, acompanhada de marido e filho. Fui recepcionada por Akira Yamasaki e por Escobar Franelas, poetas de mão cheia e articuladores do Sarau da Casa Amarela.
Nos conhecemos – os três – através de Marciano Vasques, um ser humano de coração do tamanho do mundo, que uniu vários escritores numa antologia poética, em 2013. Desde então Akira vem me convidando para ir ao Sarau. Do outro lado da cidade  - eis a medida inexata da nossa distância. Foram necessários dois anos e um convite oficial para que eu chegasse àquela Casa.
Não havia percebido, até Akira começar a me apresentar, que eu era sua convidada especial. Especial, para mim, havia sido o convite! Relancei meu livro, O Poente, o Poético e o Perdido, em meio a muita gente atenta e afetuosa. Contei um pouco de minha trajetória e do nascimento deste livro, declamei alguns dos poemas, e cantei algumas músicas.
Conheci muitos outros bons artistas, das letras e dos sons; comi muito bolo de fubá delicioso, tomei o quentão da Rosinha, recebi o grande sorriso da Sueli, mulher do Akira, e zilhões de abraços e palavras maravilhosas de todos os que participaram do Sarau.
Tive a honra de fechar o evento com um grupo de chorinho fantástico, cantando Carinhoso. Emoção pura! Tudo ali transbordava: arte, amor, cuidados, amizade. Me senti acolhida, valorizada pela amizade de tão ilustres compadres de letras e música.
A vida é feita de momentos. Mas há momentos, como este, que fazem valer toda uma vida...

A Casa Amarela tomou de vez o meu coração!

aconteceu no 36º sarau da casa amarela (3)

Ana Claudia 

então finalmente a minha comadre ana
claudia marques veio à casa amarela.
após dezenas de convites, inúmeros
pedidos e até algumas súplicas, enfim
ela veio à casa amarela. e veio com seu
imenso sorriso pleno de claridades e
clarezas. e trouxe sua poesia essencial
plena de generosidades e cantos de
pássaros. e trouxe seu canto pleno de
de suavidades de riachos cristalinos e
encantamentos. bentivinda seja, ana
claudia, obrigado por ter vindo e volte
sempre que quiser porque agora você
conhece o caminho.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

PROIBIDO

Diminuta, sou só  meu ventre, apertado, contraído, na expectativa de ser mais. A paixão sem dono ainda assim me faz sonhar, como se meu corpo fosse jovem, e meus sonhos, possíveis.
Instauro o reinado de minha alma, a buscar a tua, perdida, escondida, amuada embaixo da antiga goiabeira. Ficaste ali, irritadiço, ante a inevitável separação  de nossos lábios ao soarem passos de meu pai no antigo quintal.
Pois agora, escuta! Sorri... dar-te-ei o beijo que ansiavas. Meu pai é morto, as traças já corroeram as cambraias do vestido de menina, o relógio antigo nem bate mais.
Escuta, menino, negro como o carvão, sorriso alvo de aurora. Estiveste comigo durante tantos anos, tua proibida beleza me amolecendo as pernas, a espera de teu calor me aquecendo nas noites frias e sem amor.
São mortos todos os que nos diziam proibições. Suas memórias também estão assim, mortas. As ruins, querentes de sobreviver, queimei junto com papéis que amarelavam no sótão.
Vivos estão nossos momentos. Os banhos de rio, onde minha branquidão de fantasma-menina feriam tuas retinas, e tua pele negra me chamava para a vida.
Ainda sinto: relva, chão, corpos, tu e eu, proibidos para aquela gente que desconhecia amor. Ainda sofro: tú com tuas malas, eu para o sanatório, frio, castigo para quem queria ser o que queria ser.
Os gritos de que eu havia manchado minha honra já vão longe. Antes tivesse me manchado de tua cor, me confundido em tua pele, e partido contigo. Mas minha vida não me pertencia. Eu era, como tu, propriedade, pau mandado. Eu, branca lua, tu, sorriso de sol.

Expandida ante estas memórias, sinto que ainda te tenho... menino da goiabeira, moço do rio, corpo de calor, sorriso alvo, meu beijo perdido, meu eterno amigo, garoto crescido, fruto proibido, meu amor...
Foto: Dani Hiro

domingo, 28 de junho de 2015

A REALIDADE FICCIONAL QUE NOS FASCINA


O que é realidade? Eis a pergunta que vem me cercando desde que comecei a delinear este artigo. Nós, escritores, temos o péssimo hábito de inventar realidades outras que não esta – já bem complexa- na qual vivemos. De onde vem esta vontade de inventar outras realidades? Penso eu e hão de concordar, este é um hábito ancestral. Deve ser uma inveja do poder criador que atribuímos aos deuses. “Se eles podem, eu também posso” -pensou o primeiro inventor de histórias – “e vou fazer melhor do que o original!”
Antes de Guttemberg ou mesmo antes dos papiros, já haviam histórias sendo passadas adiante oralmente, de geração em geração. O ser humano não entendia a sua própria realidade, e para explicá-la, tentar decifrá-la e aplacar seus próprios medos, inventou outras. Assim nasceram lendas sobre a criação deste mundo; sobre moradas de deuses no Olimpo,  em Asgard, ou os Vedas, com todo seu panteão de deuses, e suas histórias; ou o Xintoísmo, para os japoneses. Obviamente todas as outras religiões – do antigo Egito, a Judaica, e depois a Cristã, a Islâmica- falavam e falam de outras realidades ficcionais. Gerações e mais gerações se pautaram – e se pautam- por estas ditas realidades, tentando alcançá-las, e serem dignos de pertencerem a elas! Sinceramente, é invejável não só a capacidade destes primeiros contadores de histórias, que tem um público fiel até hoje. Tanto quanto o é a capacidade do ser humano de transportar-se e acreditar em algo que não vê, não toca e não cheira!
Nós, humanos do século XXI, não somo tão diferentes assim dos nossos ancestrais. Me arrisco a dizer que nosso cérebro continua no mesmo estado de evolução, precisando sempre de uma realidade paralela para poder suportar a vida nua e crua. Ainda há aqueles que matam em nome de suas realidades – vide todas as brigas religiosas, ideológicas ou partidárias que presenciamos diariamente, com espanto e horror. Quer um caso de amor mais longo com a ficção do que a destas pessoas?
Podemos nos achar mais evoluídos, talvez, que estes nossos irmãos, mas temos fãs clube para Harry Potters, Sociedades do Anel, Nárnias, Heróis Marvel, príncipes e princesas, vampiros etc,e nos rendemos a estas realidades convincentes, sonhamos com elas, vivemos por elas.
O bom ficcionista nos encanta com uma realidade absurdamente verossímil, pois cria leis que a regem, convencendo nosso cérebro. Mas não basta para isto uma descrição detalhada dos locais e suas leis. Seja lá o mundo para o qual viajemos nas páginas de um livro, dentro de um filme ou nas palavras de um bom contador de histórias, só seremos convencidos da existência do que escutamos, vemos ou lemos se houver emoção! Se esta realidade puder despertar os nossos sentimentos, emprestaremos a ela nossos sentidos; veremos com os olhos da imaginação, sentiremos o vento, o frio o calor, experimentaremos sabores e texturas.

A arte de ficcionar a realidade, portanto, passará sempre pelos cinco sentidos. Nossa própria realidade só existe baseada neles. Portanto, ao escrevermos, contarmos uma história, não podemos esquecer de temperá-la com sentidos e com sentimentos. Não há Terra Média que sobreviva à falta de romance entre elfos e reis, ou ideais a serem alcançados por heróis, improváveis ou previamente designados. E não há realidade, ficcional ou não, que sobreviva sem sentimentos e sentidos.

(este artigo foi publicado a revista Plural "Solombra")
Foto: Dani Hiro, Irlanda.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

NOVOS VOOS

Comunico a todos que a partir de ontem, dia 16 de junho, pedi desligamento do selo Scenarium Plural.  Não publicarei mais na revista Plural, nem meus textos e livros serão mais publicados por este selo editorial.
Foram dois anos de trocas e aprendizado. Sempre honrei a participação na Scenarium Plural com meu profissionalismo, pontualidade, presteza no que diz respeito a produção e edição de material literário, e sou grata por tudo o que aprendi nesta troca contínua de experiência.

Aos amigos e leitores que angariei nesta convivência, meu muito obrigada. E que me acompanhem em meus novos voos.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

FAINA

Hoje minha poesia
foi a faina
diária: tirar
pó das
reminiscências,
vasculhar entranhas e
lavar o chão
coberto de
sonhos.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Lá de Dentro

Minha alma em ebulição já produziu diversas formas de arte. Música é uma delas. Lá de Dentro é o título do CD onde reuni algumas de minhas composições.
Não tenho intenção de me tornar diva a esta altura da vida. Então compartilho com vocês as músicas, no Sound Cloud.
Escutem, sintam, divirtam-se.
https://soundcloud.com/ana-claudia-marques-4

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

GAIA

Desde que o mundo começou a ser mundo, eu existo. Sou Terra,  magma, força primordial que a tudo percorre. Matéria, átomo, energia condensada, cá estou. Não sou a Alma, sou o que é vivificado por ela. Sou o espelho dela.
Tenho necessidade de vida, de prenhez, de semente. Tenho o ímpeto do calor, do sol, do movimento. Ainda assim, não sou o Sol, não sou o Vento. Eles são outros. Eu sou Uma.
Quando me desfaço, ainda assim, sou eu. Para uns, o pútrido, para outros, alimento. Para alguns, o lixo, para outro, novo elemento. Sou a Terra e minha essência é de vida, transformação, transmutação. Eu Sou.
Meu sangue é o magma. Minhas vísceras,  entranhas geradoras de sementes, tubérculos, nascentes. Quando louca,  sou vulcão; se desespero, terremoto. Quando choro, inundação. E se desolo, terra crestada. Cansei de ser violada.
Minha pele é esta crosta em que pisam, dançam, correm, estes animais de almas pouco desenvolvidas. Eles pensam que são tudo, mas eu sou Mais. Vieram de mim, são constituídos por meus elementos, e quando retornarem a seu sono de almas sem voz, deporão seus corpos em meu ventre. E eu, Anciã sem idade, sem começo nem fim, os devorarei para novamente serem partículas promissoras de vida.

Eu Sou o Portal para o começo e o fim de tudo. Não preciso ter voz, sou ação. Não há quem me domine, comigo tenham cuidado. Minha natureza é dupla: ira e afago.

sábado, 10 de janeiro de 2015

REVISITANDO EMOÇÕES

O ano passado foi pródigo em emoções. Também foi um tanto corrido, mas o balanço geral eu posto aqui. Participei, como colunista, das quatro edições da Revista Plural, pelo selo Scenarium Plural. Publiquei, pelo mesmo selo, meu segundo livro de poesia, "Pele, Osso e um Pouco Mais". E 10 contos meus foram publicados na coletânea Retratos. Também pela Scenarium Plural, participei do projeto Caderno de Notas, nas 3 primeiras edições, e fui uma das escolhidas para participar da coletânea A Sul de Nenhum Norte.

Também foi um ano de aprendizado. Estive presente no Write in Canela, com James Mc Sill, em maio de 2014, como participante e parte da organização; também no Congresso de Autores com o qual James nos brinda todos os anos, dois meses depois, também como participante e organizadora.

Participei da Bienal do Livro de São Paulo, no estande da União Brasileira de Escritores, e também no estande da editora Biblioteca 24 horas.






Fui entrevistada por Noscilene Santos do programa A Hora do coaching, em abril. Já no final do ano, fui convidada a dar uma entrevista para a escritora Arriete Vilela, na Gazeta de Alagoas, entrevista esta que saiu logo no primeiro sábado de 2015.

Consegui terminar a gravação de meu CD, Lá de Dentro, também no ano passado.

São pequenas conquistas, ou grandes conquistas? Só sabe o coração de quem as tem.

Foi um ano em que estive muito em casa, guardada em meus silêncios e cuidando dos meus. A parte social foi deixada um pouco de lado, para repor minhas energias. Mas meus amigos continuam guardados do lado esquerdo do peito, e sabem disto. Participei de alguns lançamentos de amigos, quando meus compromissos familiares deixavam. Fizemos saraus em casa, trouxemos os amigos para perto.

2015 chegou, com novas oportunidades, novidades e sonhos a serem concretizados. Vamos embarcar nele!









Blog Palavra Prima, é para lá que eu vou

Quem chega aqui deve perceber que as postagens estão cada vez mais escassas. O motivo real é a criação, há mais de dois anos, de outro blog,...