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quarta-feira, 5 de agosto de 2015

DEVER CUMPRIDO

Vou dormir,
sensação de dever cumprido.
Entre sonhos e prática,
metida,eu,
envolvi-me com os dois.
eu sou de viver
agora.
Não sei se haverá depois.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

FAINA

Hoje minha poesia
foi a faina
diária: tirar
pó das
reminiscências,
vasculhar entranhas e
lavar o chão
coberto de
sonhos.

sábado, 2 de novembro de 2013

ENIGMA

Feita de ideias e sonhos, venho construindo castelos há milênios, surgindo e sumindo como a água some na areia da praia, após se largar em onda e espuma. Feita de ideias e sonhos, dou movimento á histórias que já morreram, dou alma à quem perdeu a sua, em alguma vida de segunda classe.
Bailo pelas memórias alheias, catando fragmentos de histórias, descrições de sensações, cacos de sentimentos, desconstruindo cá e reconstruindo acolá fantasias que caibam em qualquer ser humano que ainda possua humanidade em si. Pois que ser humano é condição de nascença, mas ter humanidade necessita de cultivo e cuidado por parte do vivente.
De imagens simples faço nascer inspiração para que a beleza cresça e se reproduza. Trago lágrimas aos olhos de quem se encontra comigo, pois toco suas almas, desnudo suas fraquezas e os faço perceber o tamanho de suas grandezas, teimando em viver, e viver e viver.
Muitas vezes solitária, me satisfaço em estar no tudo e no nada. Quem me alimenta é quem de mim se sacia. Eis meu movimento, ciclo interminável, movimento do infinito, rito iniciático, flor no firmamento. Gerando e sendo gerada, dou e recebo sem ganhar nem gastar nada.

Sou feita de ideias e sonhos. Vivo no coração dos homens que vivem, renasço no coração daqueles que são tocados, morro com aqueles que se perdem, se desfazem em mil pedaços. Sou feita de gaze, de seda, de éter, sou a mãe de todos os que permanecem. Meu nome? Esperança...

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

RIO MEKONG





O rio Mekong fica
Na esquina do mundo
Com meus sonhos.
Sua vastidão de rio
Me cheira a mar,
Me lembra a brisa
De um oriente que conheci.
O rio Mekong fica
A me afogar
Na fotografia de um lugar
Que nunca pisei
Ou nadei
Ou voei.
No Cambodja,
Me questiono,
Os meninos também sonham
Como sonham os daqui?
Ou serão sonhos diferentes?
Os barcos que cruzam
Rios na cheia, no pantanal,
São coloridos
Como no Mekong.
Mas será que os pescadores
Sonham com os peixes
Cá e lá?
Será que há alguma diferença
Entre molhar-se nas águas daqui,
Ou molhar-se nas águas de lá?
Morar nas palafitas daqui
Ou balançar nas redes de lá?
Rio Mekong
Que nunca abracei com os olhos
Me traz uma certeza ao coração:
Rios e homens são iguais,
Essencialmente simples,

Feitos de sonhos e água.

(Rio Mekong, Cambodja,fotos de Mitsue Hosono, 2013)

quarta-feira, 12 de junho de 2013

SEARA DE SONHOS

Seara de sonhos, estes dias de amantes, dias de amores, dia dos namorados. Como náufragos, procuram-se, corpos suados, tábuas de salvação recíprocas, sem saberem que a salvação está mais além de qualquer um de nós. Seara de sonhos, pasto de infantes, estes dias de amantes sedentos me desconsolam. Me perco em lembranças de momentos, acres ou doces. Me perco, me cego, tateio memórias que me tateiam, sem dó, sem perdão. Sem perdão.
Seara de sonhos, estes dias de amantes, dias de desamados, de largados, esperando nas janelas, ao lado de telefones. Ninguém quer falar deles, afinal, quem é que gosta de gente feia, sozinha ou desacompanhada? Ninguém. É como falar de morte, é como ver defunto se decompondo. Cheiro de tristeza impregna na roupa, depois tem que levar para a tinturaria. Seara de sonhos secos, no caso, deserto de emoções.
Seara de sonhos, estes dias de amantes que se perdem em flats, champagnes caras, jóias sub-repticias e sussurros em lugares a meia luz. Sonhos de romances eternos, inexistentes, de carícias que não se cansem de existir. Sonhos de uns em pesadelos de outros. Dias de pesadelos e culpas veladas pelas máscaras da modernidade. Difícil ostentar estas máscaras, melhor não usá-las? Melhor não julgá-las. Melhor não.

Seara de sonhos, seara sem dono, qualquer um pode nela semear. Dia dos namorados, dia dos amantes, dia dos errantes, não consigo mais te enxergar com a aura que tinhas... foram amargas minhas vinhas? Tinham fel os lábios que toquei? Ou minhas histórias foram mal findas? Não sei, não quero lembrar, não vou me julgar, não me perdoei. Deixo aos que ainda sonham a promessa de não falar mais nada, não escrever mais nada que nuble sua realidade dourada, etérea, pueril. Dia de namorados, num céu de brigadeiro, azul anil.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

SONHANDO COM ANJOS

Tenho sonhado com anjos
Pendurados em meu telhado.
Tenho sonhado com anjos
Deitados ao meu lado.
Me olham, sedutores,
Como se fossem assim,
Naturalmente,
Meus pares.
Eu os encaro
E eles somem pelos ares.
Os procuro quando escurece,
Por meio do pensamento
Ou de prece,
Sonhando que me protejam
Ou simplesmente
Comigo estejam.
Tenho sonhado com anjos
Pendurados em meu telhado
Cantando para mim
Canções de Tom Jobim,
Ou me olhando assim,

Todos em cuidados...

Blog Palavra Prima, é para lá que eu vou

Quem chega aqui deve perceber que as postagens estão cada vez mais escassas. O motivo real é a criação, há mais de dois anos, de outro blog,...