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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

ATENTA

Atenta
ao que se passa
aqui dentro...
construo novas
realidades -
não sou mais
levada por
qualquer
vento.
foto por Dani Hiro (theodora beat)

domingo, 28 de junho de 2015

A REALIDADE FICCIONAL QUE NOS FASCINA


O que é realidade? Eis a pergunta que vem me cercando desde que comecei a delinear este artigo. Nós, escritores, temos o péssimo hábito de inventar realidades outras que não esta – já bem complexa- na qual vivemos. De onde vem esta vontade de inventar outras realidades? Penso eu e hão de concordar, este é um hábito ancestral. Deve ser uma inveja do poder criador que atribuímos aos deuses. “Se eles podem, eu também posso” -pensou o primeiro inventor de histórias – “e vou fazer melhor do que o original!”
Antes de Guttemberg ou mesmo antes dos papiros, já haviam histórias sendo passadas adiante oralmente, de geração em geração. O ser humano não entendia a sua própria realidade, e para explicá-la, tentar decifrá-la e aplacar seus próprios medos, inventou outras. Assim nasceram lendas sobre a criação deste mundo; sobre moradas de deuses no Olimpo,  em Asgard, ou os Vedas, com todo seu panteão de deuses, e suas histórias; ou o Xintoísmo, para os japoneses. Obviamente todas as outras religiões – do antigo Egito, a Judaica, e depois a Cristã, a Islâmica- falavam e falam de outras realidades ficcionais. Gerações e mais gerações se pautaram – e se pautam- por estas ditas realidades, tentando alcançá-las, e serem dignos de pertencerem a elas! Sinceramente, é invejável não só a capacidade destes primeiros contadores de histórias, que tem um público fiel até hoje. Tanto quanto o é a capacidade do ser humano de transportar-se e acreditar em algo que não vê, não toca e não cheira!
Nós, humanos do século XXI, não somo tão diferentes assim dos nossos ancestrais. Me arrisco a dizer que nosso cérebro continua no mesmo estado de evolução, precisando sempre de uma realidade paralela para poder suportar a vida nua e crua. Ainda há aqueles que matam em nome de suas realidades – vide todas as brigas religiosas, ideológicas ou partidárias que presenciamos diariamente, com espanto e horror. Quer um caso de amor mais longo com a ficção do que a destas pessoas?
Podemos nos achar mais evoluídos, talvez, que estes nossos irmãos, mas temos fãs clube para Harry Potters, Sociedades do Anel, Nárnias, Heróis Marvel, príncipes e princesas, vampiros etc,e nos rendemos a estas realidades convincentes, sonhamos com elas, vivemos por elas.
O bom ficcionista nos encanta com uma realidade absurdamente verossímil, pois cria leis que a regem, convencendo nosso cérebro. Mas não basta para isto uma descrição detalhada dos locais e suas leis. Seja lá o mundo para o qual viajemos nas páginas de um livro, dentro de um filme ou nas palavras de um bom contador de histórias, só seremos convencidos da existência do que escutamos, vemos ou lemos se houver emoção! Se esta realidade puder despertar os nossos sentimentos, emprestaremos a ela nossos sentidos; veremos com os olhos da imaginação, sentiremos o vento, o frio o calor, experimentaremos sabores e texturas.

A arte de ficcionar a realidade, portanto, passará sempre pelos cinco sentidos. Nossa própria realidade só existe baseada neles. Portanto, ao escrevermos, contarmos uma história, não podemos esquecer de temperá-la com sentidos e com sentimentos. Não há Terra Média que sobreviva à falta de romance entre elfos e reis, ou ideais a serem alcançados por heróis, improváveis ou previamente designados. E não há realidade, ficcional ou não, que sobreviva sem sentimentos e sentidos.

(este artigo foi publicado a revista Plural "Solombra")
Foto: Dani Hiro, Irlanda.

quarta-feira, 13 de março de 2013

PRESENÇA



         Ante a tua presença, não discuto; não há tempo para falas, papéis, enrroscos tais que nos percamos em palavras. Tua realidade me traz a vida, ação, momento. Sabes? Viver sem ti é viver sem ar; é ser acometida de uma sensibilidade a todas as naturezas, isolar-me do mundo, não poder tocá-lo.
         Ante a tua presença, meus sentidos aguçam; não há espera, não há repouso, não há meio termo. Sentir e agir tornam-se uma só coisa, um só esforço, sem forças para dizer não. Deixo lá fora a pudícia, os costumes bem guardados, e só peço que o sentimento não se perca, perpetue-se em si mesmo, num moto-contínuo.
         Há  a antítese disso tudo; tua falta, tua ausência impressionantemente dura, pesada. Pedaço que se foi de mim, sem que eu sequer concordasse. Minhas ideologias e meus atos nem sempre caminham juntos de fato... tão independente em tudo, me vejo amarrada ás nossas memórias tantas, ao nosso comprometimento torto. Quando não te tenho ao alcance, és meu anjo morto, e o peso de tuas asas me afunda...
         De encontros e desencontros, presenças e ausências, construímos nosso particular mundo. No abraço, a volta do calor aos corpos. Do despregar-me de ti, o contar das horas até a próxima respiração, onde teu perfume anunciará minha ressurreição. E recolherei migalhas do teu afeto, provas de tua existência, para que não duvide do que somos quando nos temos, na hora do nada, da tua não presença; ausência seria se não estivesses comigo na lembrança, viste? Então é não presença mesmo.
         E sigo adiante, qual o dia que vem depois da noite, apreciando o ciclo de ter e não ter você comigo. Sim, apreciando, pois a ausência é o tempo de avaliar importâncias, querências, atinos e desatinos. Avaliar lembranças, sonhos, e essa falta de ar que continua me tomando. Sim, apreciando, pois na tua presença, o que veio antes não importa, o que virá depois também não. 


Blog Palavra Prima, é para lá que eu vou

Quem chega aqui deve perceber que as postagens estão cada vez mais escassas. O motivo real é a criação, há mais de dois anos, de outro blog,...