Mostrando postagens com marcador palavras. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador palavras. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 5 de junho de 2014

ESSÊNCIA



Transbordaram palavras alheias... mais do que as
minhas. Vazei reticências por não saber completá-las! Fitei o vazio... permite o silêncio e assim me fiz infinita. Encontrei teus olhos nos meus - distancias interpenetradas, inexistentes - num átimo de segundo. Meu mundo naquele instante: alterado.

Referências perdidas, vidas atrás de outras vidas, e eu já não mais existia, não habitava o que sou; outro tempo me tomou de assalto. Reconhecimento de portais entreabertos, vazando sincronicidades. Saudades do que não sei, ocaso olvidado e querido, véus.

Mas o fato, o concreto, se alojou neste corpo alerta, ciente. Minha verdade não me salva, ela me alerta. Minha alma se põe em antigas vestes, em outro tempo, cabelos longos, um quente vento, no xale envolta. Mas você é presente. Entrelaçam-se as palavras, as reticências, o reconhecimento.

Daquele vento e tempo, não mais notícia. Destes teus olhos, marca de gado em minha alma, a consciência. Mil vidas passam, e nos entreolhamos. No antes e agora, a mesma essência.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

PORQUE A VIDA É FEITA...


        Porque a vida é feita de palavras que ancoram, palavras que se vão, palavras que nos levam junto, e palavras que nos fixam em alguns lugares da memória... Somente por isso tomo teu nome, palavra primeira a assomar em meus lábios, e o bendigo.
        Somente por isso tomo tuas citações e as anoto, como se tuas palavras pudessem trazer-te de volta. Como se o peso de cada letra te materializasse. Imagine se eu pudesse?
        Porque a vida é feita de palavras, tatuagens somente visíveis quando jogamos luz na nossa pele, somente por isso toco onde ficaram estas marcas, para não me esquecer da potência de cada uma. Transformações.
        Porque a vida é feita de pequenas estórias contadas com a devida veracidade, podemos nos esconder de nossas reais verdades e vendermos aos outros as nossas sinceras mentiras. Porque palavras e parábolas são filhas da mesma mãe, mas diferentes em suas finalidades. Como as nossas histórias, que usam o mesmo personagem em contextos diferentes...

        Porque usei de palavras que me levam para te levar, sei que agora estás comigo, onde sempre deveríamos estar. Da memória para a estante, ali, para dentro de um livro, e no livro, no final, costumeiramente, felizes.

quarta-feira, 13 de março de 2013

PRESENÇA



         Ante a tua presença, não discuto; não há tempo para falas, papéis, enrroscos tais que nos percamos em palavras. Tua realidade me traz a vida, ação, momento. Sabes? Viver sem ti é viver sem ar; é ser acometida de uma sensibilidade a todas as naturezas, isolar-me do mundo, não poder tocá-lo.
         Ante a tua presença, meus sentidos aguçam; não há espera, não há repouso, não há meio termo. Sentir e agir tornam-se uma só coisa, um só esforço, sem forças para dizer não. Deixo lá fora a pudícia, os costumes bem guardados, e só peço que o sentimento não se perca, perpetue-se em si mesmo, num moto-contínuo.
         Há  a antítese disso tudo; tua falta, tua ausência impressionantemente dura, pesada. Pedaço que se foi de mim, sem que eu sequer concordasse. Minhas ideologias e meus atos nem sempre caminham juntos de fato... tão independente em tudo, me vejo amarrada ás nossas memórias tantas, ao nosso comprometimento torto. Quando não te tenho ao alcance, és meu anjo morto, e o peso de tuas asas me afunda...
         De encontros e desencontros, presenças e ausências, construímos nosso particular mundo. No abraço, a volta do calor aos corpos. Do despregar-me de ti, o contar das horas até a próxima respiração, onde teu perfume anunciará minha ressurreição. E recolherei migalhas do teu afeto, provas de tua existência, para que não duvide do que somos quando nos temos, na hora do nada, da tua não presença; ausência seria se não estivesses comigo na lembrança, viste? Então é não presença mesmo.
         E sigo adiante, qual o dia que vem depois da noite, apreciando o ciclo de ter e não ter você comigo. Sim, apreciando, pois a ausência é o tempo de avaliar importâncias, querências, atinos e desatinos. Avaliar lembranças, sonhos, e essa falta de ar que continua me tomando. Sim, apreciando, pois na tua presença, o que veio antes não importa, o que virá depois também não. 


sábado, 12 de janeiro de 2013

TESTAMENTO


Hoje me voltou a gana
De verter poesia.
Abri minhas veias
E suaves areias
Formaram praias
Onde escrevo com gravetos
E as ondas não chegam
Para levar as palavras...
Registro de passos,
Pensamentos e sentimentos.
Registros de pequenos pedaços
De alegrias, sorrisos,
Bons momentos.
E vejo que minhas palavras
Vão no vento.
Chegam em terras estrangeiras,
Com castelos, neve, outras praias,
Lugares de czares, de reis e de caubóis.
Queria saber se nestas terras
Chega o sol que aqui me banha
Ou se outro sol arde,
Outros arrebóis...
A visão fica mais leve
Quando penso que o que escrevo
Não sumirá no espaço
Quando eu morrer,
Findar,
Parar de gerar
Meu próprio compasso.
Mas quando morrer,
Veja bem,
Quero ir-me embora
Envolta em redes
Plenas de palavras
Que me falem
Do teu abraço...
E deixando cá
Meu testamento
Já me desfaço.

Blog Palavra Prima, é para lá que eu vou

Quem chega aqui deve perceber que as postagens estão cada vez mais escassas. O motivo real é a criação, há mais de dois anos, de outro blog,...