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sábado, 17 de outubro de 2015

CONFISSÕES DE UMA SUMIDA

Acredite, relacionar-se é divino!
Sumi. Quem me lê por aqui bem que percebeu, não é? Mas fui sumiço dos bons. Fui cuidar de mim, colocar a vida, as ideias e as ações nos eixos. Fui lutar o bom combate, com os bloqueios que me atrapalhavam o caminho.
Nestes tempos em que todos acreditam em crise, eu fui acreditar em mim e em meu potencial. Cansei de creditar aos outros a razão das minhas quedas, falhas, faltas. Levei, sim, muito tempo para aprender isto, sou humana, mas aprendi que a energia que gasto tentando culpar pessoas e situações é mais bem gasta detectanto minhas falhas e pontos fracos, e trabalhando tudo isto para que eu me torne alguém melhor.
Quando comecei a parar de escrever, há alguns meses, me questionava se valia a pena acreditar nas pessoas, nas trocas saudáveis que sempre fiz questão de manter. Naquele momento eu estava me sentindo uma trouxa, enganada por pessoas de má fé, que de uma forma ou outra haviam explorado minhas capacidades e abusado de minha boa vontade, pessoas que não me pagaram serviços e sequer responderam a e-mails meus, quebrando mais do que laços comerciais ou de trabalho, mas a amizade que eu acreditava existir. Eu me sentia traída em minha essência, e pensei que devia parar e começar a agir diferente. Dei de não acreditar mais no potencial do ser humano, e achar que no fim eram todos uns bons filhos da puta, com o perdão da palavra.
A raiva finalmente havia minado o meu lado bom. E estava assim, achando que dar-se, doar-se, era algo ruim. Não saía nem mais palavras. Não iria dar mais nada para ninguém mesmo...
Foi quando me deparei com gestos de generosidade da parte de uma profissional. Voltei a reparar que as pessoas felizes consigo mesmas estabelecem trocas positivas com outras pessoas. Percebi que pessoas assim são bem resolvidas, e não tem problemas em dar-se, doar-se. Não tem medo de dividir seu conhecimento com os outros, para multiplicar este gesto entre aqueles que as cercam. Relembrei que há muito tempo eu já tinha este tipo de ação. E me perguntei: por que não tenho o mesmo resultado? Por que tomei tantas invertidas?
E neste meu período de silêncio e busca de respostas, obtive várias, e gostaria de partilhar. A primeira resposta foi que eu partilhava, ajudava, mas não acreditava no meu potencial interno. Segundo, eu não escutava a minha intuição quando achava que algo estava errado e me envolvia com pessoas cujas energias não ornavam com as minhas. Terceiro, eu fazia trocas porque achava que o que eu estava dando não tinha um valor intrínseco que pudesse ser cobrado. Sempre achava que o que eu recebia era melhor do que eu dava, e por isto as pessoas nunca se acharam na obrigação de retribuir a troca ou mesmo pagar pelos meus serviços. Por último, eu também não achava que podia pedir ajuda, e ficava sofrendo sozinha, ou lutando sozinha.
Depois de ter identificado estas respostas, aos poucos mudei a minha forma de pensar. Mudei também minha forma de agir. Primeiramente, voltei a estabelecer trocas com outras pessoas, ou mesmo ajudar, sem trocas, mas sempre escutando minha intuição, sentindo se eu devia ou não. Depois percebi que meu posicionamento em relação ao que faço mudou; valorizo todas as minhas facetas – escritora, terapeuta, artista plástica, micro empresária, cantora, compositora...- e isto mudou minha relação com as outras pessoas, que também me valorizam. E por último, parei de querer fazer tudo sozinha: comecei a pedir ajuda, uma mãozinha, uma forcinha... e finalmente percebi que eu estava certa quando acreditava que se podem estabelecer boas trocas entre as pessoas. E me encantei novamente com o mundo.

Por isto recomendo a todos: amem-se. Valorizem o que são e o que fazem. Invistam no potencial relacional, que é a rede de amigos e conhecidos que temos. Encantem-se com o lado bom do ser humano, não falem em crise, em maldades e atrocidades. Foquem no que há de bom. E a vida, com certeza, retribuirá com mais leveza. Namastê.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

ODISSÉIAS





Muito ouvi falar de Odisséias,
De Ulisses, Penélopes e Ítacas,
Mas, confesso, não os sabia tão próximos.
Na minha ignorância beirando a inocência
Não sabia que cada homem (ou mulher)
Tem sua própria odisseia pessoal.
Eu não sabia que odisseia significava
(e que belo significado) viagem.
Não podia imaginar que meu caminhar,
Inda que espiritual, pudesse configurar esta viagem.
Não podia sequer sonhar que meu aprendizado
Nessa vida, de paciência e recompensa,
Fosse minha odisséia.
Mas fui brindada com amigos sábios
Que me abrem caminhos
Para novas idéias.
Fiquei extasiada com uma helênica oferenda,
Um altar a céu aberto
Onde meu saber desperto
Foi convidado a adentrar.
Deparei-me com apaixonados
Pela antiga cultura, silentes,
Absorvendo palavras,
Embebendo-se delas,
Deixando-se levar por outra apaixonada
Semeando saber.
E entre saberes e sabores
Aprendi que a odisseia não é viagem finda,
Continua íntegra e atuante
Neste nosso mundo incongruente
E desconcertante.
Porque de nossa natureza mítica,
Poderosos criadores e destruidores,
De acordo com o que queiramos,
Algo temos em comum:
Buscamos sempre nossa felicidade
Qual seja o caminho tomado,
Almejamos um lugar ideal
Onde o guerreiro cansado
Possa desfrutar, afinal,
dos frutos por ele plantados,
junto a um abraço
há muito esperado.
E a alva bacia vítrea,
Com pedras, flores e água,
Recolheu na despedida
Minha onírica mirada.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

MEU TEMPO


          Hoje meu tempo é de silêncio. Guardo a energia para boas batalhas, há muito deixei de lutas vãs. Não se engane achando que perdi a alegria; ela é taça de vinho com a qual comemoro a diário o presente que é a vida. Mas hoje, a vida vem em silêncio.


          Hoje meu tempo é de silêncio. Rebusco memórias, embrulho segredos em papéis de seda, bem guardados, a prova de quedas. Enveredo por alamedas de perguntas a respeito dos que se vão de nossas vidas, e recebo em resposta outra pergunta: será que algum dia eles estiveram nela? Pergunto da importância que damos as memórias que guardamos no corpo, da veracidade dos sentidos para mim e para o outro. Somos seres que transformamos química em memória, e nos ancoramos nelas.E minhas memórias balançam em silêncio no cais de meu corpo.


          Hoje é tempo de silêncio. Busco meus punhais enferrujados, meus escudos já rachados, e os ponho numa grande fogueira. Já não me servem de nada, estou em tempos de paz com o mundo. A guerra que travo é comigo mesma, e para esta guerra, preciso de um grande espelho que me desnude, que me traduza. O pequeno espelho que tinha não me dizia toda a verdade. Quebrei-o, e hoje busco no tato saber-me em meus contornos, minhas rugas, minha tessitura. Não sei e não me importo se sou alva ou negra. Neste meu silêncio, introjeto o Ser.


E hoje é tempo de silêncio. Tempo de ler mensagens entre as linhas e entre as letras, tal qual estranha pauta musical, que pode me remeter a adagios ou allegros que repercutem no meu instrumento corpo. É tempo de soletrar ausências e sentí-las "Dor" agora, para que passem a ser algo com que eu me reconheça depois; tempo de decidir se sofro a dor imposta ou a devolvo ao impositor. Dor, vinagre, ferida sempiterna, não a quero mais, penso. Mas quem me garante que não a queira ainda sentida? Eis a questão.


Hoje é tempo de levantar a taça do bom vinho à vida que passa silente, enquanto meu corpo busca sinfonias no caderno da memória.

         

Blog Palavra Prima, é para lá que eu vou

Quem chega aqui deve perceber que as postagens estão cada vez mais escassas. O motivo real é a criação, há mais de dois anos, de outro blog,...