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quarta-feira, 16 de abril de 2014

RECONHEÇO

Lendo linhas estrangeiras reconheço amores perdidos nos desvãos das palavras. Linhas soltas, mas inegavelmente, confissões de desejos que não poderiam ter sido. Dá vontade de abraçar estes amantes e dizer: sejam!
Sinto um nó na garganta imenso, como o que sentiram estes amantes, que dentro de suas regras e verdades, se privaram do afago mútuo. Sinto o vento passar entre os dois corpos, completando o vácuo do abraço que faltava, interpenetrando carnes, desejos, suores. Sim, sinto em mim.
Percebo em cada palavra, cuidada para não revelar, a transparência do desejo de cada vivente, da sede da boca do outro, da espera do aconchego e do corpo. Sinto a elegia ao passado, tentando fazer doce o presente, dar-lhe mais colorido ou significado. Percebo a provocação, a tentação, e choro por todos os que não foram. Enrubesço.


Lendo linhas estrangeiras reconheço minhas próprias linhas, e a de todas as gentes que pisaram a terra. Pois a dor do outro já foi nossa, e se não foi, ainda será. Não é praga, nem desejo, é fato. Admitir a nossa fortaleza, ao perecer e renascer, para um novo ato, é capacidade de poucos, verdadeira nobreza. Proclamar aos quatro ventos, não é necessário, mas pelo menos, no interior de nosso sacrário... 


quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

DIZEM QUE AMAR DÓI...

Dizem que amar dói. Amar só dói quando é amor preso. Entalado, amarrado, amedrontado em aparecer. Amar é fortalecer o espírito, carregar em si a força de ser melhor, e fazer o melhor pelo outro.
Dizem que amar dói. Amar só dói se os braços estão impedidos de abraçar, as mãos de acariciar, limpar as lágrimas, o colo de dar guarida a quem precisa. Amar não dói. O que dói é represar gestos e sentimento.
Dizem que amar dói. Amar só dói se a palavra fica parada na garganta, se o beijo não se apresenta, se a palavra doce se mistura com a ironia, se o olhar se perde e se desvia, para não denunciar a emoção que se anuncia.
Dizem que amar dói. Amar só dói se o gesto do afago fica no ar, a intenção do amar se afogando em quereres, o corpo latejando como choro contido, torneira pingando, pingando, não dando sossego. Amor amarrado na própria pessoa.


Dizem que amar dói. Amar só dói se o desejo e a ação não são a mesma coisa. E isto acontece desde que o mundo é mundo, faz nascer histórias, faz doer memórias. Amor dói no passado presente, no presente imperfeito e no futuro não anunciado.  Peço coragem para que o amor não doa mais, daqui pra frente, liberto de todos seus fardos.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

MEU CORPO

Meu corpo.
Morada da alma
Palco para sua expressão.
Porta de entrada,
Porta de acesso,
Experimentação.

Meu corpo
Janela para meu dentro,
Instância vista da mente,
Incapaz de mentir
Em suas posturas
-imposturas-
Marcas d’água na pedra.

Meu corpo
Prolongamento do outro
Instrumento de precisão
Para uso certo e ciente.
Para  o outro,
ás vezes,
Objeto de desejo,
Anseio e perdição,

tão somente.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

DESEJO

Desidereo
Desejo
Algo que vem
com a estrela?
Sim, que pedimos aos céus.
Mas de onde,
Se tão terreno?
Seria o pedido
Para que a ventura
dos céus
Se faça na terra?
Desidereo
Seria aquilo
Que se pede ao alto,
mas que só obtemos
quando totalmente
ligados á carne?
Quem poderá explicar?
Desejo
é a ausência de algo
que nos faz levitar...


Blog Palavra Prima, é para lá que eu vou

Quem chega aqui deve perceber que as postagens estão cada vez mais escassas. O motivo real é a criação, há mais de dois anos, de outro blog,...