Leitora fiel e apaixonada de literatura fantástica, desde
Alice até Harry Potter, Ana Lucia Santana tem a maestria com as palavras como
sua aliada, nos fazendo duvidar de nossa própria realidade.

sábado, 6 de fevereiro de 2016
segunda-feira, 25 de janeiro de 2016
ATENTA
JANELAS E SEGREDOS
Numa janela,
Ritinha.
Na outra,
S. Francisco.
Não sei se
Conto
um segredo
À moça,
Ou outros
Aprendo
Com o doce
Irmão Sol.
Ritinha.
Na outra,
S. Francisco.
Não sei se
Conto
um segredo
À moça,
Ou outros
Aprendo
Com o doce
Irmão Sol.
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
UM ALMOÇO COM TERESA
Hora do almoço. Teresa entrou no restaurante simples, comida
por quilo, postou-se na fila com a bandeja e o prato na mão, esperando a sua
vez de servir-se. Logo atrás dela uma moça miúda, morena, posicionou-se olhando
impaciente para a fila. Teresa lhe dirigiu um sorriso e a moça comentou:
- como está cheio hoje, não acha?
- está, mas não me incomodo – respondeu Teresa, já se
servindo das saladas – gosto de ver gente – sorriu.
A moça balançou a cabeça, colocou duas fatias de tomate no
prato e disse:
- eu não me acostumo, vim do interior, sabe?
- ah, isto explica bastante – comentou Teresa –quer sentar
comigo? Aqui não tem muitas mesas, e estou só. E me chamo Teresa.
- ah, então aceito. E me chamo Marta, muito prazer.
Pesaram os pratos e foram se sentar. Marta contou que vinha
de uma pequena cidade, o ritmo era outro, muito mais lento.
- parece que não consigo me adaptar a esta cidade. Deste
jeito eu vou ter que voltar para minha terra... – arqueou os ombros para
frente, enquanto olhava para o prato.
- tudo é questão de ser flexível, você sabia?
- como assim?
- por exemplo. Eu peguei um monte de salada e você só dois
tomates, não foi?
- sim. E daí?
- há uns dois anos eu só pegava tomates, como você. Aí li
que tínhamos que fazer pratos coloridos, para conter todas as vitaminas.
Comecei a experimentar o agrião, depois outro dia a beterraba, um brócolis... o
paladar acostumou, olhe a diferença! – e apontou para o prato, sorrindo.
- ah, mas a vida não é um prato...
- mas pode ser, se você quiser. – e deu uma piscadinha.
Marta remexeu-se na cadeira, olhou para Teresa intrigada:
- ok. Então me explique.
- por exemplo, hoje você está sentando comigo. Imagine que
eu sou um brócolis... não ria. Você está experimentando algo novo no “seu
prato”.
Marta riu junto com Teresa.
- ah, mas com você está sendo fácil, caro brócolis! Como
fazer com o resto, que acho estranho?
- eu tenh
o uma teoria: todos temos limites a vencer.
Primeiro temos que reconhecê-los, e depois atacá-los um a um.
- hum... e como se faz isto, me explica! – Marta
inclinava-se, começando a interessar-se.
- bem – começou Teresa – vamos a outro exemplo gastronômico.
Eu não conseguia comer nada com coentro. Sempre dizia que era forte, que o
sabor tomava toda a comida, enfim. Tinha um preconceito gastronômico contra o
pobre coentro...
- tá, e... – Marta grafava a comida, prestando atenção em
Teresa.
- um dia fui comer com uma amiga num restaurante baiano.
Escolhi um peixe com leite de coco, delicioso, de lamber os beiços. Quando o
garçom veio recolher os pratos, eu elogiei o peixe, e falei que queria saber o
que tinha dentro, para ficar tão bom. Ele educadamente me descreveu o prato, e
disse que o segredo era o coentro!
- uai, então você gostava de coentro!
- sim! Eu só achava que não. E hoje não recuso nada com o
tempero, e tenho experiências culinárias incríveis!
- hum... então você acha que eu deveria experimentar tudo o
que acho estranho e diferente?
- não é bem isso. Há coisas que não precisa experimentar,
pois não te farão diferença alguma na vida. Eu por exemplo, não como quiabo e
não vou morrer por isto...
- então – concluiu Marta – devo perceber o que me incomoda
mas é importante para eu me adaptar à esta cidade e experimentar, é isto?
- isto mesmo! A gente é que se limita, e a gente também é
que tira estes limites de nossas vidas.
– Teresa olhou o relógio – e agora, uma limitação imposta. Horário de ir
embora, tenho que trabalhar!
- ah, Teresa, obrigada pela conversa! Nunca mais vou
esquecer da história do coentro... –
riu.
- Que bom. Sorte para você nesta cidade que vai desbravar a
partir de agora!
Teresa saiu em direção ao caixa, deixando a moça a digerir
suas palavras.
terça-feira, 15 de dezembro de 2015
TERESA E A VULNERABILIDADE
O sol ameno daquela manhã de inverno entrava pela janela,
aquecendo o quarto onde Teresa acabava de entrar. Faziam já três meses que ela
visitava semanalmente a senhora à sua frente, a fim de lhe proporcionar alívio
para suas dores, com sua massagem.
Aquela mulher, grande estudiosa de assuntos espirituais,
conhecedora de tantas técnicas de meditação e cura encontrava-se praticamente
impossibilitada de andar devido à complicações advindas de um antigo acidente
automobilístico. Teresa gostava muito de atende-la, pois ela sempre
compartilhava um pouco de seu vasto conhecimento.
Naquela manhã, porém, a senhora dirigiu-se à Teresa:
-Teresa, já te contei que desde meu acidente, há cinco anos
atrás, recebo semanalmente a visita de uma senhora que vem me aplicar Reiki?
-não senhora, dona Sara.
- então, esta semana fiquei preocupada...
-por que?
- ela disse que a minha empregada recebe muitas cargas
negativas e traz tudo aqui para minha casa, e que tudo isto fica comigo...
estou tão desanimada! Por que será que isto acontece comigo, porque estou tão
vulnerável?
Teresa não respondeu de pronto. Continuou massageando-lhe a
perna esquerda, e depois de um minuto ou dois, respondeu-lhe:
- porque a senhora permite!
Dona Sara remexeu-se, e olhou para ela, boquiaberta.
- como assim, Teresa, eu permito? – o tom de voz indignado
da mulher não intimidou Teresa.
- bem, dona Sara, vou lhe dizer o que penso, se me permite.
A mulher baixou a guarda e concordou. Teresa começou:
- a senhora estudou mais de vinte anos com grupos
espiritualistas, certo?
- sim...
- aprendeu várias técnicas de cura também, não foi? Cura
prânica, cura quântica... não é?
- sim, já te contei isto várias vezes.
- pois como é que a senhora, com todo este conhecimento,
permite que algo de fora lhe atinja, dona Sara? – perguntou, com um sorriso,
Teresa.
A mulher olhou-a com um ar desalentado, apontou a si mesma e
disse:
- mas Teresa, olhe o estado em que me encontro!
Teresa olhou-a serenamente e disse:
- dona Sara, sei que quando estamos fragilizados, doentes,
esquecemos de algumas coisas, mas vou lhe recordar algumas, está bem? Primeiro, nós não somos somente este corpo.
De acordo?
-sim, de acordo. – Sara sorriu – temos um espírito.
-isto mesmo. E sei que acredita que este espírito faz parte
de uma centelha Divina.
Sara assentiu com a cabeça. Teresa continuou.
- e também sei que acredita que semelhante atrai semelhante,
ou seja, que só chega até nós coisas, pessoas e fatos para os quais vibramos em
igual sintonia, certo?
- claro, isto mesmo!
- ótimo, até agora entendi tudo o que a senhora vem me
contando. Por último, lembro que a senhora disse que se somos parte da Centelha
Divina, não há nada que nos sustente ou nos fira que venha de fora, pois temos
Deus dentro de nós, certo?
Sara olhou Teresa, e começou a rir:
- oh, Teresa, que vergonha! Eu esqueci de tudo o que falei,
e me coloquei como vítima desta situação lamentável! Será que não aprendi nada?
- dona Sara, aprendeu sim, mas enquanto foi só na teoria,
estava fácil. Agora seu teste está no nível prático: tem que aplicar em si toda
a teoria que passou anos aprendendo. Enquanto estamos vivos, nosso aprendizado
passa invariavelmente pelo corpo.
Sara abriu um grande sorriso, e seu rosto se iluminou. Falou
então:
-Teresa, parece que acabei de acordar de um sono profundo!
Que tola eu estava sendo! Estava me sentindo fragilizada como meu corpo,
esquecendo de tudo o que aprendi.
-acontece, dona Sara. O que importa é que agora acordou, e
pode ajudar a si mesma.
- hoje, quem foi o Mestre aqui, minha cara? – perguntou
Sara, com os olhos marejados, olhando para Teresa.
Teresa sorriu, e respondeu:
- não existe Mestre nem discípulo, quando todos aprendem
juntos.
E continuou a trabalhar, agora em silêncio, como se as duas
absorvessem a intensa troca havida.
terça-feira, 8 de dezembro de 2015
TERESA NO MERCADO
O mercado estava lotado. Dia de promoção. Teresa escolhia
com atenção cada fruta, legume ou verdura. Tempo de chuva, os produtos estavam
um pouco mais judiados e ela escolhia com atenção. Não deixou, porém, de reparar
num senhor que a vinha acompanhando a cada gôndola. Em cada uma que parava,
reclamava da má qualidade do tomate, da feiúra daquela alface ali, ou que as
maçãs não estavam tão grandes. Sempre conseguia alguém para engrossar o coro de
reclamações, e Teresa percebia suas expressões quase sorridentes ao conseguir
dar continuidade às suas lamúrias com outro ouvinte.
Agora não era diferente. Por que, naquele mercado tão
grande, o senhorzinho teimava em fazer o mesmo roteiro que ela? acabara de se
afastar de onde estava o homem, sentindo a atmosfera pesada que se instalava
entre ele e a outra senhora que reclamavam. Foi buscar as bananas e para sua
surpresa, quando virou-se para coloca-las no carrinho, lá estava ele. Começando
a reclamar também das bananas. Só que agora não havia mais ninguém, e ele
reclamava encarando-a, solicitando o diálogo deletério.
- e então, a senhora não acha que estas bananas estão feias?
Só porque é dia de oferta, eles escolhem os cachos mais pintados, com alguma
banana amassada para pendurar. Já percebeu? – ele a encarava exigindo resposta.
Teresa respirou fundo – aquele era um de seus dias de
silêncio – e olhou para o homem. O rosto enrugado, com sulcos pronunciados ao
redor da boca e um enorme entre as sombrancelhas; as faces extremamente
rosadas, a mãozinha se agitando para cima e para baixo. Colérico, pensou.
- o que foi que disse, senhor? – Teresa ganhava tempo.
- estou falando da qualidade das bananas, ora. A senhora não
reparou?
- hum... peguei um belo cacho aqui, quer que eu escolha um
para o senhor? – sorriu, dirigindo-se para o expositor com todos os cachos
pendurados, tentando mudar o rumo da conversa.
- não, não! Eu sei escolher, ora essa! Então a senhora acha
que está tudo bom, não é? A banana feia, a maçã pequena logo ali, o pé de
alface desmilinguido... é por causa de gente como a senhora que o país não vai
para frente.
Teresa olhou o homem, espantada com o comentário dele. Seu
período de silêncio acabava de ser violado. Aquele homenzinho precisava ser
posto no lugar.
- não estou entendendo a sua agressividade, meu senhor. Eu só
estava querendo ajudar. E não entendo onde é que eu estou prejudicando os
outros e até meu país com minha atitude. Mas agora eu quero que o senhor me
explique. – Teresa o encarou firmemente,
e cruzou os braços.
O homem pigarreou e empertigou-se. Piscou os olhos rapidamente, e parecia não
saber o que dizer.
- pois então – recomeçou Teresa – vejo que o senhor estava
me observando, não é, enquanto eu fazia minhas compras. Devo tê-lo incomodado
muito e quero saber porquê.
- bem, a senhora tem uma atitude muito... muito...conformada!
parece que não está vivendo neste planeta. Escolhendo no meio daquelas
porcarias com este seu sorrisinho alienado no rosto. Eu já vi a senhora várias
vezes aqui no mercado...
- ah, então realmente o senhor me observa, não é? Pois então,
eu também o observei hoje. Sabe quando foi que o senhor elogiou algo aqui? Nenhuma
vez. O senhor foi me seguindo em todas as gôndolas, e reclamou de tudo em que
pôs os olhos.
O velho se mexeu, desconfortável.
- eu não reclamo do que está exposto porque, ao contrário do
que o senhor pensa de mim, eu tenho consciência que em tempos de chuva os
vegetais nem sempre estarão bonitos. Eles não nasceram aqui no mercado. Eu
sorrio porque estou numa terra com tanta fartura que ainda assim tenho o que
escolher, e tenho o que levar para casa para comer.
- está vendo? Uma conformista.
- o senhor pode pensar e me rotular como quiser, o problema
é seu. Mas eu também não pude deixar de notar que o senhor reclamou de tudo,
com todos que te deram oportunidade. Isto é pior do que ser conformista, o
senhor sabia? Cada vez que reclama, o senhor está reforçando a situação ruim. Eu
agradeço ao que encontro bom, porque quero que esta situação se repita e
aumente.
- não estou entendendo. O que tem demais eu comentar?
- tudo o que falamos vibra, senhor. Cada vez que puxa
conversa para reclamar com outra pessoa, o ar fica pesado à sua volta. A vida
só vai lhe dar coisas ruins, porque o senhor fica procurando por elas!
- não é assim, olhe aqui, estas bananas! – e apontou para um
cacho um tanto batido.
- é assim, sim, olhe estas aqui... – e Teresa mostrou vários
cachos perfeitos, logo ao lado.
- eu não tinha visto... eu...
- o senhor só viu aquilo que quis ver. A questão não é só as
bananas, ou as maçãs, ou o alface. Quando foi a última vez que agradeceu por
algo?
O homem desviou os olhos para cima, procurando alguma
lembrança. Continuou em silêncio. Teresa voltou a falar:
- pois então, faça um favor a si mesmo, aos que o cercam e
ao país. Pare de reclamar e comece a agradecer. Agradeça o que tem em cada
gôndola, que não foi destruído pela chuva, e que brotou porque não houve seca;
agradeça a água na torneira. Agradeça porque ainda está numa democracia, e não
numa ditadura. E da próxima vez que eu vir o senhor por aqui, quero ouvir um
elogio, entendido?
- sim, a senhora me desculpe, eu nunca havia pensado nisto
assim... – ele estava constrangido.
- é eu percebi. E agora, quer que eu escolha o seu cacho de
banana? – Teresa sorriu para o homem, e deu-lhe uma piscadinha de olhos. Agora podia
voltar para seu silêncio.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
TERESA E A MORTE
Teresa chamava sua velha amiga, que permanecia de olhos
fechados, recostada no travesseiro imaculadamente branco. Sua saúde agora
frágil contrastava com a mulher dinâmica que sempre fora.
- Déia, por favor, me responda, vá...
Déia meneou a cabeça, e resmungou um não. A filha entrou no
quarto, deixou um copo de água para Teresa e disse:
- ela está assim há três dias; não consegue dormir de noite,
me chama todo o tempo, com medo de dormir, e de dia fica sonolenta, como você
vê.
- pode deixar, Bia, vou conversar com ela agora...
Teresa encosta a porta do quarto quando Bia sai, senta-se
novamente ao lado de Deia e segura-lhe a mão branca e cheia de manchas senis.
Deia abre um pouco os olhos, vira a cabeça para Teresa e fala:
- Teresa, não consigo dormir... me deixa dormir agora...
- agora eu vim cuidar de você, Deia, mas quero entender
porque você está com medo de dormir... pode me contar?
- não sei, Teresa. Quando estou quase dormindo, começo a me
agitar... vou te confessar: tenho medo de passar mal dormindo...
- sim, e se passar mal dormindo o que pode acontecer?
- não sei, Teresa... e se não conseguir chamar a Bia, o que
faço?
- você está desconversando, Deia. – Teresa olhou-a e
perguntou de novo: - se passar mal domindo o que pode acontecer?
- eu não sei...
-não sabe ou não quer dizer?
- não quero dizer, Teresa... você sabe, não sabe?
Teresa olhou-a e deu um suspiro. Lembrou daquela mulher
guerreira, que desde a mocidade trabalhava num centro espírita, ajudara tanta
gente, criara uma filha exemplar e afável dentro de sua crença, e agora estava
com medo do confronto final.
- Deia, você está com medo de não acordar, se passar mal de
noite?
- é acho que é isto...
- e como isto se chama, Deia? – Teresa deu-lhe um sorriso
irônico, que Deia já conhecia bem.
- afe, como você é chata, Teresa! – Deia falou baixinho -
Isto se chama morrer...
Teresa apertou a mão da amiga e disse:
- exato, isto se chama morrer.
- que vergonha, Teresa! Eu estou com medo de morrer!
- tenho que concordar com você, Deia! – Teresa deu-lhe
novamente o sorriso irônico – você vai mesmo ‘amarelar’ no final do jogo? E
tudo o que você viveu, seus anos trabalhando no centro espírita... pensei que você acreditasse em vida após a
morte, e não que fosse viver eternamente!
Deia começou a rir. Teresa a acompanhou, e se abraçaram.
-ah, garota, você tem um modo de fazer a gente enxergar as
coisas... e morrer de vergonha! Que horror!
Ainda rindo, Teresa respondeu:
- Minha amiga, não posso deixar de ser sincera com você.
Tenho muito orgulho de ser sua amiga, e mais ainda por saber que você é humana,
e tem medos, como todos nós. E que é corajosa, e sabe admití-los. Diga para
mim, o que você acredita, de todo o coração, que é a morte.
- para mim, por tudo o que vivenciei e estudei, a morte não
é mais do que uma transição deste corpo físico para meu corpo espiritual.
-e você acha que isto será ruim, Deia?
-absolutamente! Este corpo está velho, cansado, doente. Meu
espírito não tem estas limitações, eu poderei esta onde e com quem eu quiser
com a velocidade de meu pensamento... – Deia respondeu entusiasmada, olhando
para o alto.
- então, minha amiga, do que você estava com medo mesmo?
Deia pegou as mãos de Teresa, apertou-as e disse:
- minha jovem amiga, eu estava sendo ridícula. Obrigada por
vir me ajudar!
- Deia, a verdade já estava com você. Eu só tive que te
lembrar. Te admiro, viu?
As duas se abraçaram.
Bia ligou para Teresa dois dias depois. Era uma linda manhã
de sexta feira. Deia havia morrido, dormindo. E sorrindo.
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
TERESA NO MUSEU
A tela antiga
absorvia a atenção de Teresa, quando percebeu a moça elegante ao seu lado. O Museu
era aonde todos se encontravam, pensou. Sorriu levemente para a moça, que lhe
sorriu de volta e falou:
- nada como apreciar algo belo para melhorar o dia, não é?
- com certeza! – respondeu Teresa, percebendo que um diálogo
se iniciava.
- hoje eu precisava disto. Fugi da minha empresa para ‘desestressar’
e... – a moça foi interrompida pelo celular. Atendeu soltando o ar preso nos
pulmões, olhando para cima, como que em desepero, e depois de uma breve
orientação a quem quer que fosse, desligou.
-viu? – dirigiu-se novamente a Teresa – é assim o tempo
todo. Nem em casa, nem no final de semana tenho sossego...
Teresa meneou a cabeça sem saber o que dizer. Encaminhou-se
para a outra tela acompanhada lado a lado pela moça elegante. A estas alturas
ganhara uma companhia no museu. A moça
continuou a falar:
- sabe, gerencio um negócio de família, tudo reportam a mim.
Como é cansativo! – falava com o olhar na tela, virando em seguida para Teresa –
Ah, desculpe, eu é que devo estar sendo cansativa...
- não, sem problemas! – respondeu Teresa, lhe sorrindo – às vezes
precisamos mesmo conversar com alguém. Aliás, meu nome é Teresa, e o seu?
- meu nome é Cristina; obrigada mesmo por escutar. Nem sei porque estava te
contando isto...
-vejamos... talvez porque te incomode? – respondeu Teresa,
ao mesmo tempo em que apontava um detalhe no quadro que agora contemplavam –
felizes eram estes aqui, que não tinham celular, não acha?
- ah, e como! – riu-se Cristina – era mais difícil por um
lado, mas por outro... a simplicidade da vida que levavam...
- sim. Os dias de descanso eram sagrados. Trabalhava-se
muito mas era dado a eles o direito de descansar.
-é... mas parece que não tenho mais este direito...
- como não tem? – retrucou Teresa – você sabe quem lhe dá
este direito?
-não... a constituição? A religião? Não, não sei.
- oras, você mesma!
Cirstina abriu os olhos e encarou Teresa.
-Eu? Como assim?
Teresa a guiou par um banco, onde sentaram-se para apreciar
os quadros. Mexeu em sua bolsa, pegou o celular e o mostrou à Cristina.
-está vendo isto aqui?
-sim...
- pois está desligado no momento.
- entendo. Mas eu estou em plena sexta-feira. Apesar de ser
a dona, não posso me dar a este luxo...
- bem, se você diz... – Teresa arqueou as sombrancelhas,
meneando a cabeça, euqnato voltava seu celular para a bolsa.
Sua companheira de banco voltou a falar:
-meu descanso é quando viajo, duas vezes ao ano. Escolho um
destino na Europa e não há celular, e-mail nem nada para me perturbar...
Teresa concordou com a cabeça. Suas viagens eram diferentes,
par dentro dos quadros, por exemplo. cada um viajava para onde queria, pensou. Cristina,
olhando par cima, retomou a palavra, pensativamente:
- sabe do que tenho saudades?
- pois me conte.
- da minha adolescência. Eu ia com meus pais para nossa
fzenda, e lá cavalgava o todos os dias. Adorava correr com Lorde, meu cavalo, e
depois voltar e cuidar dele... naquela época não sabia o que era stress! – riu
discretamente.
Teresa a olhou, um pensamento se formando, e com um sorriso
maroto falou:
- que pena que esta fazenda não existe mais, não é?
- mas ela existe sim!
- respondeu Cristina.
- ora, então deve ser bem longe daqui, ou não tem mais
cavalos por lá, Viramundo morreu?
- nem uma coisa nem outra. Não leva mais do que uma hora e
meia até lá, e Viramundo continua firme.
- interessante. Porque você falou de uma forma que pensei...
bem , deixe pra lá. Ao menos é bem mais perto que a Europa. – e deu um sorriso
irônico.
A moça franziu a testa, inclinou-se para a frente como que
para ver melhor o quadro e virou-se em seguida para Teresa.
- você... acha que eu deveria ir para lá? Lembro sempre da
fazenda, mas vão me encontrar, eu não conseguiria relaxar...
-bem – Teresa levantou-se do banco, dirigindo-se para a
outra ala do Museu – eu acredito que se telefone tenha a função ‘desligar’...
A moça, ainda não convencida:
-mas eles me acham pelo computador...
- imagino que possa desligá-lo por um tempo, desativar
conversas... ou não leva-lo?
-nossa, nunca pensei nisto!
- pois então. Você é que vai estipular seu dia de descanso.
Se trbalha tanto, tem todo o direito! Claro que viajar para outro país é sem
dúvida delicioso, mas não pode se tornar sua única opção, não acha? Seu momento
de descanso pode estar aqui e sem culpa, não acha? – Teresa apontou as telas da
nova ala.
O olhar fixo no amplo salão, ombros de repente relaxados,
Cristina sorriu para Teresa:
- nunca havia pensado desta forma! Como pude não enxergar
algo tão simples? Estou me sentindo uns cem quilos mais leve! Obrigada pela
conversa! -O telefone toca e ela o faz silenciar – agora não! – pisca para
Teresa – depois desta ala, faço questão de que tomemos um café lá embaixo, sim?
- convite aceito! – Teresa assentiu, sorrindo, enquanto
continuaram a apreciar os quadros com a alma mais leve.
terça-feira, 20 de outubro de 2015
CURSO: AUMENTE SUA AUTOCONFIANÇA
Pessoas queridas, como alguns aqui sabem, eu também sou terapeuta. Alguns textos meus do blog, inclusive, são de cunho motivacional. Estou com um curso em São Paulo, na região de Santo Amaro, para iniciar em 04 de novembro, Serão sete encontros, durante sete semanas, para que os participantes trabalhem comigo e com a coach Denise de Sá para alcançarem a autoconfiança que precisam para terem a vida plena que merecem.
A dinâmica do trabalho em grupo será dirigida por nós de forma agradável mas consistente. Contatos estão no folder, para informações e inscrições. O preço está super bacana, e há desconto para pagamento antecipado.
Por que estou divulgando aqui? porque foi por meio deste tipo de trabalho que consegui ser o que sou: terapeuta, escritora, compositora, artista plástica. Venham , divulguem , compartilhem! Gratidão!
A dinâmica do trabalho em grupo será dirigida por nós de forma agradável mas consistente. Contatos estão no folder, para informações e inscrições. O preço está super bacana, e há desconto para pagamento antecipado.
Por que estou divulgando aqui? porque foi por meio deste tipo de trabalho que consegui ser o que sou: terapeuta, escritora, compositora, artista plástica. Venham , divulguem , compartilhem! Gratidão!
sábado, 17 de outubro de 2015
CONFISSÕES DE UMA SUMIDA
![]() |
| Acredite, relacionar-se é divino! |
Sumi. Quem me lê por aqui bem que percebeu, não é? Mas fui
sumiço dos bons. Fui cuidar de mim, colocar a vida, as ideias e as ações nos
eixos. Fui lutar o bom combate, com os bloqueios que me atrapalhavam o caminho.
Nestes tempos em que todos acreditam em crise, eu fui
acreditar em mim e em meu potencial. Cansei de creditar aos outros a razão das
minhas quedas, falhas, faltas. Levei, sim, muito tempo para aprender isto, sou
humana, mas aprendi que a energia que gasto tentando culpar pessoas e situações
é mais bem gasta detectanto minhas falhas e pontos fracos, e trabalhando tudo
isto para que eu me torne alguém melhor.
Quando comecei a parar de escrever, há alguns meses, me
questionava se valia a pena acreditar nas pessoas, nas trocas saudáveis que
sempre fiz questão de manter. Naquele momento eu estava me sentindo uma trouxa,
enganada por pessoas de má fé, que de uma forma ou outra haviam explorado
minhas capacidades e abusado de minha boa vontade, pessoas que não me pagaram
serviços e sequer responderam a e-mails meus, quebrando mais do que laços
comerciais ou de trabalho, mas a amizade que eu acreditava existir. Eu me
sentia traída em minha essência, e pensei que devia parar e começar a agir
diferente. Dei de não acreditar mais no potencial do ser humano, e achar que no
fim eram todos uns bons filhos da puta, com o perdão da palavra.
A raiva finalmente havia minado o meu lado bom. E estava
assim, achando que dar-se, doar-se, era algo ruim. Não saía nem mais palavras. Não
iria dar mais nada para ninguém mesmo...
Foi quando me deparei com gestos de generosidade da parte de
uma profissional. Voltei a reparar que as pessoas felizes consigo mesmas
estabelecem trocas positivas com outras pessoas. Percebi que pessoas assim são
bem resolvidas, e não tem problemas em dar-se, doar-se. Não tem medo de dividir
seu conhecimento com os outros, para multiplicar este gesto entre aqueles que
as cercam. Relembrei que há muito tempo eu já tinha este tipo de ação. E me
perguntei: por que não tenho o mesmo resultado? Por que tomei tantas
invertidas?
E neste meu período de silêncio e busca de respostas, obtive
várias, e gostaria de partilhar. A primeira resposta foi que eu partilhava,
ajudava, mas não acreditava no meu potencial interno. Segundo, eu não escutava
a minha intuição quando achava que algo estava errado e me envolvia com pessoas
cujas energias não ornavam com as minhas. Terceiro, eu fazia trocas porque
achava que o que eu estava dando não tinha um valor intrínseco que pudesse ser
cobrado. Sempre achava que o que eu recebia era melhor do que eu dava, e por
isto as pessoas nunca se acharam na obrigação de retribuir a troca ou mesmo
pagar pelos meus serviços. Por último, eu também não achava que podia pedir
ajuda, e ficava sofrendo sozinha, ou lutando sozinha.
Depois de ter identificado estas respostas, aos poucos mudei
a minha forma de pensar. Mudei também minha forma de agir. Primeiramente,
voltei a estabelecer trocas com outras pessoas, ou mesmo ajudar, sem trocas, mas
sempre escutando minha intuição, sentindo se eu devia ou não. Depois percebi
que meu posicionamento em relação ao que faço mudou; valorizo todas as minhas
facetas – escritora, terapeuta, artista plástica, micro empresária, cantora,
compositora...- e isto mudou minha relação com as outras pessoas, que também me
valorizam. E por último, parei de querer fazer tudo sozinha: comecei a pedir
ajuda, uma mãozinha, uma forcinha... e finalmente percebi que eu estava certa
quando acreditava que se podem estabelecer boas trocas entre as pessoas. E me
encantei novamente com o mundo.
Por isto recomendo a todos: amem-se. Valorizem o que são e o
que fazem. Invistam no potencial relacional, que é a rede de amigos e
conhecidos que temos. Encantem-se com o lado bom do ser humano, não falem em
crise, em maldades e atrocidades. Foquem no que há de bom. E a vida, com
certeza, retribuirá com mais leveza. Namastê.
Marcadores:
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auto conhecimento,
autovalorização,
crônica,
culpa,
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Blog Palavra Prima, é para lá que eu vou
Quem chega aqui deve perceber que as postagens estão cada vez mais escassas. O motivo real é a criação, há mais de dois anos, de outro blog,...
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Apresento a vocês o primeiro texto do projeto Caderno de Notas, realizado em parceria com outras seis escritoras. Cada semana, estaremos ...
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Quem chega aqui deve perceber que as postagens estão cada vez mais escassas. O motivo real é a criação, há mais de dois anos, de outro blog,...





