quarta-feira, 12 de junho de 2013

SEARA DE SONHOS

Seara de sonhos, estes dias de amantes, dias de amores, dia dos namorados. Como náufragos, procuram-se, corpos suados, tábuas de salvação recíprocas, sem saberem que a salvação está mais além de qualquer um de nós. Seara de sonhos, pasto de infantes, estes dias de amantes sedentos me desconsolam. Me perco em lembranças de momentos, acres ou doces. Me perco, me cego, tateio memórias que me tateiam, sem dó, sem perdão. Sem perdão.
Seara de sonhos, estes dias de amantes, dias de desamados, de largados, esperando nas janelas, ao lado de telefones. Ninguém quer falar deles, afinal, quem é que gosta de gente feia, sozinha ou desacompanhada? Ninguém. É como falar de morte, é como ver defunto se decompondo. Cheiro de tristeza impregna na roupa, depois tem que levar para a tinturaria. Seara de sonhos secos, no caso, deserto de emoções.
Seara de sonhos, estes dias de amantes que se perdem em flats, champagnes caras, jóias sub-repticias e sussurros em lugares a meia luz. Sonhos de romances eternos, inexistentes, de carícias que não se cansem de existir. Sonhos de uns em pesadelos de outros. Dias de pesadelos e culpas veladas pelas máscaras da modernidade. Difícil ostentar estas máscaras, melhor não usá-las? Melhor não julgá-las. Melhor não.

Seara de sonhos, seara sem dono, qualquer um pode nela semear. Dia dos namorados, dia dos amantes, dia dos errantes, não consigo mais te enxergar com a aura que tinhas... foram amargas minhas vinhas? Tinham fel os lábios que toquei? Ou minhas histórias foram mal findas? Não sei, não quero lembrar, não vou me julgar, não me perdoei. Deixo aos que ainda sonham a promessa de não falar mais nada, não escrever mais nada que nuble sua realidade dourada, etérea, pueril. Dia de namorados, num céu de brigadeiro, azul anil.

Vai uma maçã aí?

E nós, as Evas do mundo, como seríamos definidas se a primeira Eva não tivesse oferecido a maçã para Adão? Me recordo também que existem ...