sábado, 12 de março de 2016

RESENHA SOBRE MEU LIVRO NO BLOG PROSA ENCANTADA

Confiram que resenha linda da minha amiga e escritora Ana Lucia Santana sobre meu livro, em seu blog http://prosaencantada.blogspot.com.br/2015/12/o-poente-o-poetico-e-o-perdido.html?m=1


Um trechinho aqui:


Sua poética tem a fluência e a malemolência de quem, além da poesia, também se dedica à música. A poeta e a compositora se aliam na tessitura do ritmo e da melodia. Esse encontro das várias Anas transparece em poemas como Porcelana Chinesa - a amante da cultura oriental, a pintora, a cantora, a mulher de longa trajetória existencial.

Aliás, a passagem da autora pelo Japão está impressa em sua poesia e ganha um espaço particular nas poesias Símbolo eJapão, assim como nos poemas escritos entre 1994 e 1995, alinhados, neste livro, no segmento intitulado Oriental. Nessa etapa, a autora, mais que nunca, parece buscar sua própria identidade, num processo de desconstrução e renovação. Essa experiência está latente na série de poemas Nihon.

TERESA E UMA SEPARAÇÃO

Teresa estava no centro da cidade. Resolveu entrar numa pequena lanchonete para fazer um lanche. Sentada numa mesinha longe da porta, de costas para o movimento da rua, vira-se quando escuta uma voz conhecida chamar seu nome.
-Ora, é você mesma! Bem que te reconheci, você parece que não muda! – falou a moça sorridente, atitude prenunciando um abraço.
- ah, Betina, que coincidência boa! O que faz aqui no centro? Eu vim atrás de tecidos, e você?
- ih, Teresa, vim atrás de material escolar mais barato para os meninos. Aconteceu tanta coisa nestes últimos meses. Silvio me deixou sozinha com os meninos. Estou me virando só com as aulas que dou, um ou outro bolo de aniversário que encomendam.
- Betina, sinto muito. Mas vocês não estavam bem? A última vez que os vi estavam bem, apesar que já fazem uns dois anos, acho. Quer conversar um pouco, sente aqui comigo, não quer pedir um lanche também?
Betina sentou-se de frente para Teresa, o atendente se aproximou, ela pediu seu lanche e um suco, e recomeçou a falar.
- Eu não percebi de início, mas ele estava ficando mais calado. Eu estava preocupada com ele. Caprichava no jantar, tentava saber o que era, mas ele não me dizia nada. Então um dia, sem justificar nada, me aparece com uma mala pronta, vindo do nosso quarto, e falou para mim e para os meninos que estava indo embora de casa.
- hum... e você?
- pedi para ele explicar o que estava acontecendo, eu e os meninos não estávamos entendendo nada. Pedi para ele ficar e conversarmos, mas não adiantou. Começou a me atacar verbalmente, que a culpa era minha, que não me aguentava mais... – Betina baixou o olhar, olhou para as próprias mãos, nervosamente entrelaçadas – e se foi.
- sinto muito pelo acontecido... e os meninos, como estão?
- eles também não entenderam nada. No final de semana seguinte ele veio vê-los, mas não me dirigiu a palavra. Não sei o que fiz para ele. Larguei meu trabalho de administradora de empresa para cuidar dos meninos como ele queria; cuidava dele, das crianças, da casa, comida, roupas... Até dois anos atrás eu nem trabalhava! Se não fossem as aulas que peguei para dar e os bolos que faço, não sei como estaria me arranjando.
- espera aí, ele não está pagando pensão para os garotos?
- acredita que não? Pior do que isso, fiquei sabendo por amigos comuns que ele juntou-se com uma outra mulher. Consegui falar com ela, e ela me contou que ele disse a ela que era separado. Estava com ela há quase dois anos...
- e você não vai fazer nada, Betina?
- na verdade eu já fiz. Coloquei um processo para que ele pague a pensão dos garotos. Mas estou me sentindo tão culpada, Teresa!
- culpada por que? Vamos lá, me diga.
- ele diz que saiu de casa por minha causa, mas nunca me disse o porquê... ele vai ficar muito bravo quando souber que eu fiz isso. Agora ele deu de falar para os meninos e para amigos que fui eu que o coloquei para fora de casa!
- então vamos fazer o seguinte? Vamos olhar para a situação com racionalidade. Primeiro, teus filhos viram ele saindo pela porta afora sem motivos. Este é o ponto um.
- Certo.
- segundo, o fato dele não querer mais estar com você não significa que ele possa abdicar da paternidade. E mais ainda: ele tem que entender que com esta atitude, prejudica os garotos não só materialmente, mas também emocionalmente, pois não vão se sentir amados por ele.
- sim, eu não havia pensado nisso, juro!
- terceiro: perceba que quando a pessoa sabe que está errada e não tem maturidade para assumir os seus atos, ele tem que arranjar algum culpado.
- é ...no caso ele diz que sou eu que o coloquei para fora, e não ele que saiu pela porta afora!
- viu? Outra atitude que ele deve ter tido: arranjar justificativas para o que fez. No caso dele, ao invés de admitir que está largando a família porque está apaixonado por outra (o que é humanamente possível, perdoável, ninguém tem a obrigação de viver com quem não tem mais nada), ele resolveu dizer que o problema era com você.
- verdade!
-agora me diga, você está se sentindo culpada por qual motivo mesmo?
-nenhum! – Betina sorriu, semblante relaxado – ele pode se apaixonar, viver a vida dele, eu vivo a minha. Vou trabalhar, tentar voltar para minha antiga profissão, mas ele não pode fugir das responsabilidades de pai dele, nem detonar emocionalmente os meninos!
- perfeito!- Teresa bateu palmas. – e lembre-se: não se curve diante do vitimismo dele. Vai querer te manipular. Se isto ocorrer, peça um mediador público, para que este possa guiar a conversa de vocês de forma tranquila.
- Teresa, encontrar você hoje foi a melhor coisa que podia me acontecer!
Teresa sorriu, deu a mão para a amiga por cima da mesa, e falou com ternura:

- a gente está neste mundo para ajudar. Fico feliz por termos nos encontrado também.

Vai uma maçã aí?

E nós, as Evas do mundo, como seríamos definidas se a primeira Eva não tivesse oferecido a maçã para Adão? Me recordo também que existem ...