segunda-feira, 14 de março de 2011

ESPADA

Meu costumeiro verso


É sagrado,

Cheio de palavras

De espada,

Que cortam

O vento e o universo

Desfazendo a vida

Em tudo e nada.

sábado, 12 de março de 2011

PASSARINHO

A vida é cheia de graça. Há algumas semanas estava em depressão, vendo tudo embotado, minhas capacidades, minha falta de riso... tudo denunciava o meu lado chato, nada “clown”, nada simpático ou agradável.


Eis que minha filha, com toda sua determinação, conseguiu trazer para casa um periquito que estava prometido a ela desde o ovo, literalmente. Fomos buscá-lo na casa da amiga, e ele veio com várias recomendações , uma lata com ração e uma velha gaiola.

Ela declarou que o animal seria criado solto, no dedo, porque morria de dó de passarinho preso na gaiola. Também disse que cuidaria do periquito, pois era dela. Fiquei realmente impressionada com o discurso, e esperei a prática.

Obviamente, no dia seguinte a chegada do novo membro da família, quem limpou a gaiola, colocou jornal para o passarinho fazer cocô enquanto lia as notícias e reabasteceu a ração foi esta que vos fala. A dona do animal limitou-se a levá-lo para seus aposentos, para que ele pudesse ficar lendo o livro junto com ela, empoleirado em seu ombro.

A novidade durou dois dias. Logo as atividades diárias, escolares e extra curriculares foram maiores que o interesse pelo pássaro. Inversamente proporcional foi o aumento da minha responsabilidade para com o mesmo, e já que eu nunca tive que cuidar de periquitos, recorri ao nosso moderno “pai dos burros”, ou seja a internet.

Após duas horas de pesquisa, percebi que passaria mais tempo cuidando do pássaro do que de meus próprios filhos. Obviamente, se isso fosse possível. Expliquei para minha recém chegada filha, naquela tarde, o que não poderíamos fazer, o que o bichinho teria que comer. Ela não gostou nada, mas não retrucou, já que não tinha informações melhores.

Nos primeiros dias o periquito estava triste, assustado. Eu cantei para ele, dei frutas, e achei que o bicho iria morrer de tristeza sem os outros periquitos. Foi quando lhe dei um pedaço de espiga de milho, e conquistei sua confiança.

Aos poucos o periquito começou a voejar pela cozinha. Quando eu o queria na gaiola, lhe dava o pedaço de milho, e logo ele vinha comigo. Fui me afeiçoando ao pássaro. Quando chegou ao final daquele dia, fui dormir com um sorriso no rosto.

Passados mais dois dias, minha filha se queixou que o passarinho não vinha mais na mão dela. A estas alturas, ele já estava voando pela sala, e só ia na mão quando queria retornar a gaiola. Ela não queria o animal livre? Pois eu o estava criando livre.

E estou. Agora o periquito pia para que eu abra a gaiola, e vai no dedo até ela quando se cansa de voar. Hoje meu filho menor passou a manhã sem ver a televisão, ganhando a confiança do animal , e conseguindo finalmente que ele viesse na sua mão, e passeasse pelo apartamento pousado em seu braço. O periquito estava bem a vontade, e meu filho, feliz.

A dona do periquito dormia, e a casa estava acesa. Voltei a sorrir; meu filho sente que tem um companheiro, a vida ficou mais leve. Se o periquito é da minha filha ou da família, pouco importa. Meu esposo chega e vai assoviar para o passarinho. Hoje veio com areia própria para o bicho, e uma cordinha para ele bicar.

Todos mimam, todos precisam cuidar. A vida não é mais triste, por conta de um passarinho de dez centímetros.

DESPEDAÇADA

Despedaçada. É como eu me sinto. Todos os pedaços do meu ser sendo devorados por si próprios, autofagia, aniquilação. Não há processo criativo que vá para frente, não há esperanças.

Gostaria de não estar escrevendo isto, mas tenho que me colocar em algum lugar. Os poemas me fugiram. O piano me afugenta. Minha voz quer ficar silente, pois diziam que eu falava muito, ela se cansou. Meu riso está desacorçoado, não sabendo para onde ir.

Minha cabeça nada cheia de idéias, mas são todas fugidias, ou muito longas, estafantes. Estou cansada de sentir, de pensar, de amar, de me entregar. Preciso de férias de mim mesma, ir a um paraíso, sem juízo, sem juízes.

Tenho muito tempo de sobra, e não sei o que fazer com ele. Tenho obrigações rotineiras, e uma cansaço medonho, que tem me acompanhado estes últimos tempos. Acima de tudo isto, há uma perda muito grande. Há perdas muito grandes. Perda de entes queridos, perda de uma amiga querida, minha confidente, minha conselheira. Com ela tudo eu podia falar, pensar, sonhar. Ela me apoiava.

Agora, não há mais longas conversas ao telefone, nem curtas conversas, nem uma oração por mim quando me sentia triste, nem um “vai passar” que me console quando tudo parece uma bosta.

O luto é algo concreto, é a perda do contato com a pessoa querida. Da espiritualidade, que cuidem os espíritos nesta hora, pois o que nos faz falta é a presença física, ainda que acreditemos na imortalidade da alma. A alma não tem a capacidade de nos ligar ao telefone, enviar a carta, nos dar um sorriso visível. Ela está não estando, é não sendo, pois a matéria do qual é feita não nos pertence, não nos toca.

Pois é, estou de luto. Luto por todos aqueles que se foram nestes últimos meses, e que me deram a consciência que o ser espiritual segue um caminho, nós que estamos aqui na terra seguimos outro, e enquanto nossos caminhos não se cruzam (o que significaria a minha morte, no caso), tenho que aprender a lidar com a finitude inevitável, com a dor palpável daquilo que não mais tocamos.

sexta-feira, 11 de março de 2011

LAPSOS DE TEMPO

Lapsos de tempo. Passei por vários deles, desde a última vez que escrevi. Perdi pessoas queridas, e fui rever minha vida. A única coisa que nunca deixei de ser foi ser artista, escritora, sonhadora. Estou voltando a sonhar. Ou viver? Quem ler, decide.

Vai uma maçã aí?

E nós, as Evas do mundo, como seríamos definidas se a primeira Eva não tivesse oferecido a maçã para Adão? Me recordo também que existem ...