sábado, 12 de março de 2011

DESPEDAÇADA

Despedaçada. É como eu me sinto. Todos os pedaços do meu ser sendo devorados por si próprios, autofagia, aniquilação. Não há processo criativo que vá para frente, não há esperanças.

Gostaria de não estar escrevendo isto, mas tenho que me colocar em algum lugar. Os poemas me fugiram. O piano me afugenta. Minha voz quer ficar silente, pois diziam que eu falava muito, ela se cansou. Meu riso está desacorçoado, não sabendo para onde ir.

Minha cabeça nada cheia de idéias, mas são todas fugidias, ou muito longas, estafantes. Estou cansada de sentir, de pensar, de amar, de me entregar. Preciso de férias de mim mesma, ir a um paraíso, sem juízo, sem juízes.

Tenho muito tempo de sobra, e não sei o que fazer com ele. Tenho obrigações rotineiras, e uma cansaço medonho, que tem me acompanhado estes últimos tempos. Acima de tudo isto, há uma perda muito grande. Há perdas muito grandes. Perda de entes queridos, perda de uma amiga querida, minha confidente, minha conselheira. Com ela tudo eu podia falar, pensar, sonhar. Ela me apoiava.

Agora, não há mais longas conversas ao telefone, nem curtas conversas, nem uma oração por mim quando me sentia triste, nem um “vai passar” que me console quando tudo parece uma bosta.

O luto é algo concreto, é a perda do contato com a pessoa querida. Da espiritualidade, que cuidem os espíritos nesta hora, pois o que nos faz falta é a presença física, ainda que acreditemos na imortalidade da alma. A alma não tem a capacidade de nos ligar ao telefone, enviar a carta, nos dar um sorriso visível. Ela está não estando, é não sendo, pois a matéria do qual é feita não nos pertence, não nos toca.

Pois é, estou de luto. Luto por todos aqueles que se foram nestes últimos meses, e que me deram a consciência que o ser espiritual segue um caminho, nós que estamos aqui na terra seguimos outro, e enquanto nossos caminhos não se cruzam (o que significaria a minha morte, no caso), tenho que aprender a lidar com a finitude inevitável, com a dor palpável daquilo que não mais tocamos.

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