sábado, 3 de novembro de 2012

ÁGUAS QUE PASSAM...


Há águas que passam, e não movem mais moinhos. Há outras águas, porém, que ficam correndo junto com nosso sangue, e estas movem moinhos, vidas e sonhos. Dessas segundas águas, todas as pessoas do mundo sabem, ainda que não admitam. São lembranças, antigas esperanças, sussurros de fantasmas, que nos impulsionam, nos fazem querer viver, para tentarmos repetir a façanha de sermos plenamente felizes.
Há águas que passam e não movem moinhos. São pequenas histórias, importantes em si mesmas, mas que não extrapolam os limites de espaço tempo em que ocorrem. São no momento que devem ser, desaparecem quando cessa sua razão de ser.
Das outras águas, porém, impregnadas em nosso sangue, em nossos ossos, pele e lembranças, tatuagem feita a força, destas águas ninguém pode dizer: “não beberei”. Bebo eu, bebe tu, ele. Nós, vós e eles também. São histórias que atravessam o tempo e o espaço; são resposta que damos ao vento, meneando a cabeça, respondendo a esse ou aquele que já não mais está, mas continua nos habitando.
Ah, doce natureza humana, e suas águas... desaguamos por essas águas que nos bolem, pela passagem que não se repete, mas que repetimos no cinema da memória. Nos fisga, assim, torce o peito, o cuore, nos dá um fastio... e não queremos perder esta sensação, porque ela nos dá a certeza que viver é bom, viver é mais do que o diário, comer, dormir, levantar, trabalhar.
Viver é saber que estas águas que estão misturadas com nosso sangue são nossa força motriz. E as águas que passam, que movam moinhos, pouco nos importa. Que as outras águas, do rio da saudade, nos levem de volta, a velhos moinhos...

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