quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

DIZEM QUE AMAR DÓI...

Dizem que amar dói. Amar só dói quando é amor preso. Entalado, amarrado, amedrontado em aparecer. Amar é fortalecer o espírito, carregar em si a força de ser melhor, e fazer o melhor pelo outro.
Dizem que amar dói. Amar só dói se os braços estão impedidos de abraçar, as mãos de acariciar, limpar as lágrimas, o colo de dar guarida a quem precisa. Amar não dói. O que dói é represar gestos e sentimento.
Dizem que amar dói. Amar só dói se a palavra fica parada na garganta, se o beijo não se apresenta, se a palavra doce se mistura com a ironia, se o olhar se perde e se desvia, para não denunciar a emoção que se anuncia.
Dizem que amar dói. Amar só dói se o gesto do afago fica no ar, a intenção do amar se afogando em quereres, o corpo latejando como choro contido, torneira pingando, pingando, não dando sossego. Amor amarrado na própria pessoa.


Dizem que amar dói. Amar só dói se o desejo e a ação não são a mesma coisa. E isto acontece desde que o mundo é mundo, faz nascer histórias, faz doer memórias. Amor dói no passado presente, no presente imperfeito e no futuro não anunciado.  Peço coragem para que o amor não doa mais, daqui pra frente, liberto de todos seus fardos.

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