quarta-feira, 16 de abril de 2014

RECONHEÇO

Lendo linhas estrangeiras reconheço amores perdidos nos desvãos das palavras. Linhas soltas, mas inegavelmente, confissões de desejos que não poderiam ter sido. Dá vontade de abraçar estes amantes e dizer: sejam!
Sinto um nó na garganta imenso, como o que sentiram estes amantes, que dentro de suas regras e verdades, se privaram do afago mútuo. Sinto o vento passar entre os dois corpos, completando o vácuo do abraço que faltava, interpenetrando carnes, desejos, suores. Sim, sinto em mim.
Percebo em cada palavra, cuidada para não revelar, a transparência do desejo de cada vivente, da sede da boca do outro, da espera do aconchego e do corpo. Sinto a elegia ao passado, tentando fazer doce o presente, dar-lhe mais colorido ou significado. Percebo a provocação, a tentação, e choro por todos os que não foram. Enrubesço.


Lendo linhas estrangeiras reconheço minhas próprias linhas, e a de todas as gentes que pisaram a terra. Pois a dor do outro já foi nossa, e se não foi, ainda será. Não é praga, nem desejo, é fato. Admitir a nossa fortaleza, ao perecer e renascer, para um novo ato, é capacidade de poucos, verdadeira nobreza. Proclamar aos quatro ventos, não é necessário, mas pelo menos, no interior de nosso sacrário... 


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