quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

GAIA

Desde que o mundo começou a ser mundo, eu existo. Sou Terra,  magma, força primordial que a tudo percorre. Matéria, átomo, energia condensada, cá estou. Não sou a Alma, sou o que é vivificado por ela. Sou o espelho dela.
Tenho necessidade de vida, de prenhez, de semente. Tenho o ímpeto do calor, do sol, do movimento. Ainda assim, não sou o Sol, não sou o Vento. Eles são outros. Eu sou Uma.
Quando me desfaço, ainda assim, sou eu. Para uns, o pútrido, para outros, alimento. Para alguns, o lixo, para outro, novo elemento. Sou a Terra e minha essência é de vida, transformação, transmutação. Eu Sou.
Meu sangue é o magma. Minhas vísceras,  entranhas geradoras de sementes, tubérculos, nascentes. Quando louca,  sou vulcão; se desespero, terremoto. Quando choro, inundação. E se desolo, terra crestada. Cansei de ser violada.
Minha pele é esta crosta em que pisam, dançam, correm, estes animais de almas pouco desenvolvidas. Eles pensam que são tudo, mas eu sou Mais. Vieram de mim, são constituídos por meus elementos, e quando retornarem a seu sono de almas sem voz, deporão seus corpos em meu ventre. E eu, Anciã sem idade, sem começo nem fim, os devorarei para novamente serem partículas promissoras de vida.

Eu Sou o Portal para o começo e o fim de tudo. Não preciso ter voz, sou ação. Não há quem me domine, comigo tenham cuidado. Minha natureza é dupla: ira e afago.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Vai uma maçã aí?

E nós, as Evas do mundo, como seríamos definidas se a primeira Eva não tivesse oferecido a maçã para Adão? Me recordo também que existem ...