sábado, 1 de outubro de 2011

INDAGAÇÃO

Saberia ainda

Ter a pureza,

A inocência

Da infância?

Meus pensamentos,

Há muito foram violados;

O sentido do que é bom,

Deturpado,

A criança,

Há muito se enterrou.

Idéias, valores, política,

Tudo o que me ensinaram

Em criança,

Caminha contra

Os preceitos que vivencio

Em adulta.

Talvez por isto

Exista o verbo adulterar...

Se ressuscitar os valores infantis

Morrerei na selva adulta;

Se me guiar pela conduta vulgar,

Perderei meu eixo no mundo.

Se posso ver aos dois lados,

Por que raios

Não posso seguir minhas leis

E habitar o mundo?

Indignação profunda da criança prestes a apanhar.



Tão presa às regras,

Tão temente a Deus,

Vou me deixando escravizar,

Com medo de sacrificar

Os meus.

Em criança, o pecado,

Em adulta, o destino,

Ao morrer será que Deus

Estará satisfeito comigo?

São indagações que me faço,

Enquanto eu mesma

Me persigo.

Anti-heroína

Dos dois lados,

Brigando

Para defender

A posição

Em que não me sinto.

Meu eu, tão procurado,

Também está brigado comigo,

Pois não lhe sacio as vontades,

Não lhe solto em seu destino.

Estou amarrada de todo o lado

E ainda assim me obrigo a sorrir,

E a dar por findo

Meu dilema,

Meu crime e castigo.

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