quarta-feira, 23 de maio de 2012

SOMBRA


Achados e perdidos, este pequeno conto eu fiz com vinte anos. Estava em meio a poesias, num caderno da época.



I-

         Ela ia andando a sua frente. No rosto, uma expressão séria. Nos passos, decisão e controle. As mãos ainda tremiam um pouco, mas o homem não percebia, não as via.

         Num acordo mútuo, os dois pararam. Ela olhou para trás, e seus olhos se fixaram nele. Mudos os dois, continuaram a andar. Entraram na casa pequena, organizada e séria, como ela. Dele, nenhum vestígio, como sempre.

         Ela arrumava uma maleta, metodicamente. Ele só a observava, nulo. Tentou falar algo, mas fantasmas não emitem som. Ela fechou a mala, deu um suspiro e o olhou. Disse: “vou embora”. Ele queria dizer: “tudo é teu, faça o que quiser.” Mas não disse. Não necessitava, pois ela sabia. Por isto ia embora.



II-

         O dia amanheceu. Os vizinhos estranharam a porta da casa aberta. A vizinha chamou a dona. Sem resposta, entrou. A casa pequena, organizada e nula, nada dizia. A vizinha entrou no quarto. Na cama, a surpresa. Branco, duro, um homem sentado. Olhava para o nada. Um grito. Nunca vira aquele homem. A mulher, sumira. E tirada sua presença, surgiu o homem. Morto.

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