sexta-feira, 2 de março de 2012

UMA GRANDE CONFRARIA

                Ontem estive no lançamento de um livro de um amigo, Menalton Braff, apresentado há algum tempo atrás por um outro amigo de décadas, Deonísio da Silva. Resolvi ir de metrô, para não chegar irritada com o trânsito de São Paulo. Cheguei até cedo demais, mas inteira, o que considerei  um milagre, frente ao calor que fazia nesta terra.

                Fui uma das primeiras a chegar. Não havia bolso em meu vestido, e não tinha aonde colocar as mãos... tentei  sair para voltar mais tarde, mas o autor me avistou. E lá fui eu, prestigiá-lo, num sem jeito que me fez sentir como uma penetra em festa de casamento. Comprei o livro, logo autografado por ele, e eu fiquei ali, sem palavras, olhando, pouco a pouco, outros escritores chegarem, para prestigiá-lo. Fiquei saboreando satisfação alheia, percebendo o momento, as trocas, a emoção a cada chegada de uma pessoa querida.

                De repente fiquei pensando o que fazia mesmo ali. O local estava repleto de escritores, membros de uniões e academias, e eu, uma simples aspirante, no meio de todos eles. Quando me perguntaram se eu também era escritora, disse que sim, apesar de ainda não publicada. E fui explicando que só publicava em meu blog, como se pedindo o favor de poder participar daquela confraria que se reunia diante de meus olhos.

                Há pessoas que ficam mudas ante um ídolo da música, ou do cinema. Eu fico muda ante a grandeza  de outros escritores. São todos seres de carne e osso, mas com uma capacidade que me fascina. Sei que também escrevo, mas não tenho um livro meu publicado. Não tenho um objeto concreto que mostre que eu sou  escritora.

                A escrita está em mim, o ser escritor está em mim, mas continuo a admirar aqueles que fazem da escrita o seu ofício, com obras para chamarem de suas. Escritores são imortais, pois eles passam , suas obras ficam. Eu me dei conta que quero ser imortal também!

                Voltando a cena, acabei encontrando pessoas que havia conhecido, e fiquei até o evento acabar. Ri, conversei, beberiquei um vinho, e percebi, ao final, que me sentia em casa no meio de todos eles. A paixão em comum pela literatura me fez sentir em casa. E a pergunta inicial, sobre o que eu fazia mesmo ali, foi respondida: fui encontrar amigos de alma. E ponto final.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Vai uma maçã aí?

E nós, as Evas do mundo, como seríamos definidas se a primeira Eva não tivesse oferecido a maçã para Adão? Me recordo também que existem ...