sexta-feira, 8 de junho de 2012

DIA DE LANÇAMENTO NA BIENAL

Hoje foi o meu lançamento na Bienal Internacional do Livro. foi uma experiência única, inesquecível, feliz, e ao chegar, lembrei-me desta crônica, que fiz há pouco tempo, e ela casa muito bem com o modo como me sinto, então, repeteco nela!
                Estou eu na minha cozinha, a pensar na minha nova condição, de escritora. Divago pelos caminhos que me trouxeram até aqui, caminhos que já poderiam ter sido percorridos, mas não o foram, por pura falta de fé em mim, num passado nem tão distante. Tudo começou com a leitura de um livro de Moacir Scliar, esta tarde. Estava somente recordando a história e rindo sozinha, enquanto buscava utensílios e material para fazer a minha janta, quando me coloquei, de repente, na pele de quem está me vendo de fora da situação em que vivo.

                No livro de Scliar, ele começa parodiando descarada e ironicamente um livro de Brian Weiss, um psiquiatra que faz terapia de vidas passadas. Ele conta que não é psiquiatra, e sim professor de história, e conta como tornou-se um terapeuta, através de uma dinâmica de aula em que os alunos deveriam representar os personagens que faziam parte da matéria. Ocorreu que um dos alunos, ao estudar para ser um príncipe, incorporou o personagem de tal forma que não mais saiu dele, nem na escola, nem em casa. De um humilde menino, tomou a majestade para si, falava difícil, e convenceu-se que era mesmo a figura importante que deveria interpretar.

                Comecei a rir sozinha, pois me recordei de uma amiga que torce muito por mim, e disse que agora eu  desembestei a criatividade entalada, sabe-se lá por quanto tempo, e me aconselhou a liberar o mundo novo que está nascendo em minha cabeça. Liguei o que ela falou à história do garoto que encarnou o papel de príncipe, e comecei a imaginar como as pessoas podem estar analisando o meu comportamento nestes últimos tempos.

                Para muitos eu devo parecer realmente o garoto que destrambelhou, visto que além de esposa, mãe e terapeuta, assumi por conta e risco o título de escritora, sem me importar mais com o que iriam pensar a minha volta. Meu mundo virou, saiu do avesso.  Porque, para mim, antes eu estava do avesso, e agora eu estou do lado certo...alguém olhando de fora pode dizer que a coitada realmente pirou, pois resolveu se mandar para um Congresso de Escritores sem sê-lo;  começou a escrever sem parar, ir em lançamentos de outros escritores, esqueceu que tem casa e família...A se considerar que também assumi que componho músicas, e se as interpreto, sou cantora, pela visão dos conservadores eu realmente tive um surto, e não voltei dele. Devem olhar e pensar que é melhor não discordarem, afinal, que mal faz, não é? É louca mansa, coitada!

                Mas olhando daqui, da minha janelinha, posso dizer que poucas vezes na vida estive assim tão realizada. Sou e sempre fui, escritora, artista, pintora, humorista de minha própria história, e tentava, a todo custo, esquecer e levar a chamada “vida normal.” Mas o que é normal? Quando estou no meio de meus colegas escritores, músicos e artistas, me sinto em casa. Podem me olhar, os de fora, com pena, pelo meu “surto”; eu continuarei liberando a minha criatividade entalada, pois sem ela, isso sim, eu não sou nada...

               

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