sexta-feira, 8 de junho de 2012

HÁ AQUELES...




 os que enxergam, e há os que vêem. Há os que escutam, e há os que ouvem. Há  os que bebem, e há os que sorvem. Há os que comem, e há os que saboreiam... É dado a todos, todos os sentidos, mas a escolha de como os usar sempre é pessoal.

         Podemos encarar a vida de diversas formas. Há olhares e olhares, cantares e cantares. Há aqueles que olham a vida com adjetivos; são tão exuberantes que não podem ver uma árvore sem lhe dar uma qualidade que seja. Vêem beleza e alegria em todo e qualquer canto; são amigos, gostam de estar com os outros e de sorrir sempre. Pouco filosofam, não guardam mágoas, mas nos ensinam a viver com um sorriso no rosto e a esperança na mão.

         Há aqueles que encaram a vida como uma luta. Objetivos a serem alcançados, e miram a árvore como boa madeira para que seja feito o seu próximo instrumento de conquista. A apreciam, mas pela madeira boa, não pela poesia. Tem o futuro diante dos olhos, e se cercam de pessoas que, como eles, vêem o mundo  como algo a ser conquistado, e os amigos, como aliados. Estes trabalham com o verbo: fazer, ter, comprar, ganhar, vencer.

         Há aqueles que encaram a vida com nostalgia. A árvore do presente lhes remeterá, certamente, a árvore sob a qual sentavam em outro momento. São aqueles que tecem comparações, que criam, que sonham. Vêem o mundo como um lugar a ser melhorado, se comprazem em ajudar, mas querem ser compreendidos, aceitos mesmo. Necessitam da palavra de apoio, e em troca, são ombros amigos. Adoram usar um “todavia, mas, porém”, para enfatizar que até o pior mal tem cura. Sonhadores, sempre.

         Há aqueles que vivem no presente, e o aceitam como é. Apreciam a beleza, mas não fazem questão de modificar o que é feio. Simplesmente não olham para aquela direção. Se olham a árvore, somente a registram como tal. Para eles, ela existe, ela é. Seus objetivos são alcançados com tranquilidade, pois tem plena certeza de que eles serão alcançados. Não interferem na vida alheia, também não querem que interfiram na sua. Suas conquistas são mais espirituais, de crescimento interior, do que materiais. Mas são extremamente satisfeitos, pois estão em equilíbrio.

         Cada um vê o mundo de uma forma, lida com pessoas a sua maneira, age conforme uma crença interna. Podemos olhar o mundo com todos estes olhares, ou com apenas um deles. Podemos também olhar tudo com negatividade, se assim desejarmos. Podemos ser irresponsáveis, fúteis, mau-caráter, o que quisermos. Podemos ver uma velha casa e enxergar ruínas, ou espreitarmos histórias em suas rachaduras ou janelas velhas e desbotadas. Esta é a riqueza do material humano enlaçado àquilo que chamamos de vida. E a cada vez que penso nisso, agradeço por enxergar, ouvir, saborear e sorver...

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